31 de outubro de 2014

Adri Rodrigues: Fator Felipão: Grêmio mudou sua identidade

Já foram 17 jogos do Grêmio com Luiz Felipe Scolari no comando da equipe. Desconsidere-se o jogo da estreia, no qual o treinador desembarcou do aeroporto direto para o campo de jogo. São 9 vitórias, 5 empates e 3 derrotas, aproveitamento de 63%. Com ele, o Grêmio fez mais gols fora de casa, do que tomou (5 a 4). Foram 8 jogos longe da Arena, sendo 2 vitórias, 4 empates e 2 derrotas.

Aliás, dizem que a Arena acabou com o "fator local" para o Grêmio. Vamos aos números com Felipão no novo estádio: 9 jogos, com 7 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Nestes jogos em casa, tivemos 81% de aproveitamento, sofrendo apenas 2 gols. É, não tem "fator local". "Ruim"... "muito ruim"...

Mesmo que a maioria de nós, torcedores, não concordemos com o fato do Grêmio jogar com 3, 4 volantes, foi com este esquema que Felipão encontrou a estabilidade do time no Campeonato Brasileiro. Nos treinos desta semana, Felipão tem escalado os titulares com dois volantes e dois meias na área central do campo. Felipão tem 100% de aproveitamento com dois volantes, na Arena. Os jogos com dois meias vêm rendendo bons frutos. Ao mesmo tempo, há quem entenda que o esquema com dois volantes desestrutura o sistema defensivo da equipe. O que o leitor acha?

Na luta pela vaga

Para o jogo deste sábado, muitos desfalques. Além de Riveros, Zé Roberto e Alan Ruíz receberam o terceiro amarelo contra o Coritiba e desfalcam o time diante do Vitória. Logo, o Grêmio terá mudança tática.

Pará está pendurado com dois cartões amarelos e prometeu jogar tudo contra o Vitória. Não irá "tirar o pé", mesmo sabendo que corre o risco de não atuar no clássico GRE-nada. De qualquer modo, com desfalques ou não, precisamos somar os três pontos. A torcida deve comparecer à Arena, às 19h30, e apoiar o time do início ao fim. Neste momento, ocupando a sétima colocação, faltam dois pontos para ingressarmos na zona de classificação da Libertadores de 2015 e seguir na peleia.

Aos que só falam no desentendimento (já resolvido) entre Pará e Lucas Coelho, favor pararem de procurar pelo em ovo e arrumarem o que fazer. Grata.

Beijo Azul!

29 de outubro de 2014

Sinal de vida à vista

Pará e Lucas Coelho se desentenderam no treino.
Dividida mais ríspida acabou em socos, pontapés e chute de bola contra o oponente.
Gostei.
Sinal que os caras ainda estão ligados. Se estivessem esperando as férias estariam acomodados e não estariam entrando para rachar. Imagina não poder ir para a praia em Dezembro?

Felipão manteve os dois em campo até o final do treino.
Gostei também.
Deu o recado. Brigões não vão para o vestiário mais cedo. E ainda ficou observando que desdobramento teria a confusão.

Felipão aproveitou para xingar a defesa que deixou o ataque fazer gol no mole.
Bom. Muito bom! Treino é para corrigir falhas.

Pará falou mais tarde que haviam se entendido no vestiário, pediu desculpas para o Lucas e tudo se ajeitou.
Excelente.
Os inimigos são os outros e não deve ficar resquício de brigas de treinos.

Que esta briga, portanto, ao contrário do desejo das hienas que estão na espreita, sirva para unir mais.
E que tenha efetivamente ocorrido porque está todo mundo querendo ganhar.

28 de outubro de 2014

Na reta final

Quase ao fim do caminho.

Calor sufocante, ar quase irrespirável. É o final do ano chegando. Com ele, os últimos jogos do Campeonato Brasileiro 2014. Estamos na reta final de, mais uma vez, um campeonato pouco atraente, pouco emocionante, com um time disparado na frente desde as primeiras rodadas.
Qual a fórmula ideal? Não sei bem, até porque não sou especialista em fórmulas, mas me parece que se poderia mudar para algo do tipo: o melhor do primeiro turno decidir com o melhor do segundo. Então poderíamos ter uma final lá e cá emocionante, com estádios lotados. Mas, sabe-se lá porquê, não é assim que pensam os homens que organizam as tabelas e a Rede Globo que mantém a viabilidade dos clubes com o pagamento dos direitos de transmissão.
Essa falta de criatividade e dificuldades de ver o óbvio, por vezes cansa e torna-se enfadonha para o torcedor. Mas é assim e a vida continua na mesmice em todos os setores da sociedade brasileira...Mudar para quê??????
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E o Grêmio, está sendo o Grêmio dos últimos anos. Quando pensamos "agora vai", aí é que não vai, mesmo. Está devendo muito no futebol ao seu torcedor. Eu não apostaria em Dudu para o ano que vem. Lembra o famoso "siri na lata". Muito barulho para pouco resultado. Não é disso que o Tricolor precisa. O jovem Érik mostrou que pode preencher muito bem aquele espaço e é de graça. Uma economia que vem a calhar.
Na minha visão, para o ano de 2015 precisaremos:
- manter os ótimos Marcelo Grohe e Tiago;
- reforçar as laterais com mais qualidade , contratando gente que saiba defender e apoiar com eficiência;
- contratar um ou dois meias de verdade, que consigam preencher a imensa lacuna que tem feito    uma grande falta ao time;
- manter os ótimos zagueiros Rhodolfo e Geromel;
- manter Barcos, Érick, Giuliano, Luan e Lucas Coelho;
- trazer de volta Marcelo Moreno e ver se aqui ele consegue ser o jogador que é no Cruzeiro;
- manter Fellipe Bastos, Riveros, Wallace e Matheus Biteco;
- aproveitar meninos da base, como Nicolas Careca e outros.

Pronto! Está feito !!!! A base está montada. Nem será preciso grandes investimentos e perder muito tempo com contratações que só incham o elenco e trazem poucos resultados práticos. Para o meu gosto, um técnico deveria trabalhar com um elenco muito enxuto e capacitado. Com pouca gente à disposição, é mais fácil dedicar mais atenção individual nos treinamentos e forjar cobradores de faltas e escanteios. O segredo é "especialização". Poucos, mas bons especialistas dão um resultado muito melhor do que ter muitos "pseudo especialistas" . Aquele que parece que vai, mas não vai. Desses, já estamos todos cansados.
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A Hamburgueria no centro de Porto Alegre já vende 500 unidades de hamburguer  por dia.
É sucesso!!!!!!



27 de outubro de 2014

Avalanche Tricolor: um momento de transição

Por Mílton Jung

Coritiba 1 x1 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Couto Pereira (PR)


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Meu filho mais velho completou 18 anos, nesse sábado. A data é especial para todo e qualquer jovem, talvez o mais simbólico momento de transição. É quando a vida parece nos entregar um certificado de responsabilidade mesmo que ainda tenhamos tantas incertezas sobre nosso comportamento. Somos adolescentes em um corpo de adulto, com deveres de adultos mesmo que nossa personalidade ainda não esteja amadurecida. Em algumas famílias, é o instante em que o pai puxa a cadeira, chama o filho para sentar à sua frente e em um ritual de passagem transmite-lhe toda a responsabilidade que será assumida a partir daquela data, talvez porque não tenha dedicado parte do seu tempo a ensinar-lhe com gestos e atos. Aqui em casa, nossas conversas são frequentes seja com o mais velho seja com o mais novo. Angústias e medos são compartilhados da mesma forma que alegrias e atitudes na busca de nos anteciparmos aos problemas que possam surgir – e eles sempre surgem. Há surpresas inevitáveis para as quais temos de ter discernimento para decidirmos o melhor caminho ou aquele que causará menos perdas. Com preparo – ou aquilo que, em família, consideramos ser preparo – cruzar a linha dos 18 anos deixa de ser uma transformação. É uma evolução.

Diante do jantar que organizamos para comemorar a data, a partida do Grêmio, em Curitiba, ficou em segundo plano – tenho certeza de que você, caro e raro leitor desta Avalanche, entenderá minha posição de colocar a família acima de todas as outras coisas. Cheguei assistir ao primeiro tempo na televisão quando detalhes de cada jogada mostravam a dificuldade para conter o ataque adversário, especialmente com a chuva que se intensificou quando ainda tínhamos o domínio do jogo, apesar de não transformá-lo em lances de gol – o que, aliás, é uma constante no nosso time. A caminho do restaurante onde os padrinhos do aniversariante nos esperavam, a solução foi o aplicativo para celular de uma das rádios gaúchas que transmitiam a partida, no Paraná. Pelo empolgação do narrador, percebia-se que a forma de jogarmos havia mudado em relação aos primeiros 45 minutos.

Um dos aspectos que me chamaram atenção é que a medida que a responsabilidade aumentava, com os adversários diretos na tabela fazendo seus resultados e o tempo do jogo se encerrando, Luis Felipe Scolari buscava soluções no banco de reservas, e a mão de obra disponível era relativamente jovem. Alan Ruiz, que voltou com o time já do intervalo, tem 21 anos e muito a ver com a mudança na nossa forma de jogar no segundo tempo – substituiu o volante Biteco de apenas 19 anos, mesma idade de Nicolas Careca que entrou no lugar de Dudu (22 anos). Tem 19, também, Erik que saiu jogando (demonstra ter muita qualidade) e foi substituído por Lucas Coelho, um ano mais velho apenas e autor do principal lance de ataque antes do gol. Só por curiosidade: Bressan na zaga e Ramiro no meio, desde o início em campo, têm 21 anos, também. Ou seja, um time claramente em renovação, em transformação, o que torna nossos desafios mais difíceis.

No momento em que cheguei a meu destino faltavam menos de 10 minutos para a partida se encerrar. Por respeito aos convivas, desliguei o rádio/celular e resolvi entregar nas mãos dessa legião de jovens a tarefa de nos manter na busca por uma vaga na Libertadores. Desliguei-me de coração, também, para me dedicar por completo ao momento de alegria do meu filho. Como sabe quanto gremista sou, ele voltou-se para mim com palavras de esperança: deixa que os guris resolvem, pai.

O jantar foi excelente, pratos e bebidas bem servidos e saborosos, conversa e lembranças emocionantes. O placar do jogo somente me foi apresentado algum tempo depois quando recebi ligação do meu pai que estava em Porto Alegre. Curiosamente em um time tomado de garotos, soube que dois velhinhos, Pará com um lançamento para dentro da área e Riveros se agachando para conseguir cabecear a bola, ambos com 32 anos, protagonizaram o gol de empate que nos manteve na disputa.

Um brinde a eles (e ao meu filho, também)!

25 de outubro de 2014

Na conta do Felipão

Coritiba 1 x 1 Grêmio

Primeiro Tempo: 1 x 0

Erik foi a surpresa do Felipão. E Erik foi ao chão nas primeiras duas bolas que chegaram nele.  Mas na terceira bola que recebeu armou uma jogada perigosa pela esquerda. No rebote Matheus Biteco isolou.

Felipão adiantou a marcação e o jogo começou com o domínio do Grêmio.
Aos 13 minutos começou uma chuva forte em Curitiba.
Zé Roberto cruzou para a área aos 16 minutos mas Dudu chegou tarde.
O tricolor chegou com perigo de novo aos 19 minutos com Zé Roberto e Erik. A zaga mandou para escanteio.
E Erik arrumou outro salseiro aos 21 minutos mas a cruzada não foi aproveitada.

Dudu encheu o pé de fora da área para difícil defesa do goleiro aos 25 minutos. Ninguém apareceu para o rebote.
O Coritiba chegou com perigo pela primeira vez aos 27 minutos e Marcelo Grohe salvou para escanteio. Na cobrança a bola estourou na trave e saiu.
Aos 29 minutos Grohe fez um milagre em cabeceada fulminante do Alex. 
No escanteio gol do Coritiba.
O Grêmio que dominava se entregou em 5 minutos.
E passou a não jogar nada.
Aos 38 minutos Dudu apareceu na área do Grêmio. Três volantes e o atacante anão tem de dar uma de zagueiro.
Biteco levou amarelo por uma falta tosca no campo do Coritiba. Aliás, Biteco conseguiu errar todas as jogadas. Uma atuação horrorosa.
Aos 46 minutas quase o segundo gol.

.....

O Grêmio jogou razoavelmente bem até os 20 minutos, embora sem criar chances claras de gol. Depois se perdeu em campo. Não conseguiu acertar nenhum passe no ataque.
Mais uma atuação que irritou o torcedor. Não surpreende se alguém falar que quebrou o monitor de ódio.

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Segundo Tempo: 0 x 1

Alán Ruiz apareceu no lugar do Biteco.  E os primeiros movimentos pareciam mostrar que o diagnóstico de Zé Roberto no intervalo tinha feito efeito.

Aos 3:30 minutos quase que Bressan se redimiu da falha no gol. Cabeceou no escanteio por cima.
Aos 8 minutos pênalti em Zé Roberto. Adivinha se o ladrão marcou?
Aos 9 minutos quase o segundo gol dos paranaenses.
Zé Roberto cruzou e Barcos chegou atrasado aos 14 minutos.
Felipão tirou Dudu, que não jogou absolutmente nada, e colocou Nicolas Careca aos 17 minutos.
Aos 19 minutos Ruiz deu um passe espetacular para Ramiro que mandou a bomba. O goleiro fez grande defesa.Aos 23 minutos em contra-ataque quase gol do Coritiba. A bola deu na trave.
O Grêmio pressionava mas não conseguia criar uma mísera jogada.
Lucas Coelho deu uma cacetada no travessão em cobrança de escanteio aos 34 minutos. 
Aos 39 minutos, quando tudo parecia perdido, Riveros fez de cabeça em cruzada do Pará. Um belo gol.
Nicolas fez uma jogada ridícula aos 47 minutos e perdeu a chance de vencer.
O Coritiba ainda perdeu uma grande chance de gol.
E foi isto.
.....

Este esquema do Felipão só dá certo se a defesa não leva gol. Se levar antes, acaba com o time.
Felipão tem de decidir se quer tentar a Libertadores ou apenas testar guris para o ano de 2015.
Não há mais espaço para medos e esquemas cautelosos. Em cada jogo tem de tentar ganhar de qualquer jeito. Se perder, paciência. Mas especular gol de xiripa não dá mais.
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Como jogaram:

Marcelo Grohe: Duas grandes defesas antes do gol. Mas não é milagroso sempre.
Pará: Atuação parasística: bem atrás, mal na frente. Mas fez o cruzamento para o gol de empate.
Geromel: Não repetiu atuações anteriores.
Bressan: Deixou cabecear no gol do Coritiba.
Zé Roberto: Boas combinações com Erik. Saiu no intervalo dizendo que o time tinha que ter vontade de ganhar.
Riveros: Apagado. Mas fez o gol salvador. Por conta disto, o melhor do time.
Ramiro: Mal no primeiro tempo. Melhorou no segundo.
Matheus Biteco: Muito, mas muito mal. Horroroso. Saiu no intervalo.
Erik: Começou bem e depois desapareceu.
Dudu: Péssima atuação.
Barcos: Muita luta como sempre.


Alán Ruiz (Biteco): Entrou muito bem. Se tivesse iniciado jogando o resultado poederia ter sido outro. 

Nicolas Careca (Dudu): Entrou.
Lucas Coelho (Erik): Perdeu um gol incrível em cobrança de escantio cabeceando no travessão.

Felipão: Tem que decidir se quer Libertadores ou testar guris para o ano que vem. Esta história de 3 volantes e jogar por uma bola já encheu o saco.
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Arbitragem: Dewson Fernando da Silva (Pa) - Não deu um pênalti para o Grêmio. Normal. Todos fazem isto. Mas por que raios põem um juiz de merda do Pará onde nem tem jogo de futebol para apitar jogo do Grêmio?

Daniel Matador - Por um lugar ao sol




Caros

O Grêmio entra em campo neste sábado às 18h30min para enfrentar o Coritiba na capital paranaense. Uma vitória poderá proporcionar ao tricolor o ingresso no grupo dos clubes que estariam habilitando-se a disputar a Taça Libertadores da América em 2015. Algo que seria um feito interessantíssimo, ainda mais com Felipão podendo montar a equipe desde o começo, com pré-temporada e Koff como principal gestor do futebol. Além, é claro, de ser terceira temporada seguida em que a Arena sediaria este torneio, mantendo uma prática que ocorre desde sua inauguração. E também levando em conta os recursos financeiros e de exposição que participar da Libertadores sempre proporciona.

A equipe que deverá entrar no gramado do Estádio Couto Pereira deverá ser formada por Marcelo Grohe no gol, com Pará e Zé Roberto ocupando as laterais. A dupla de zaga do último jogo deve ser mantida com Geromel e Bressan. Os três volantes também são tendência para iniciar o jogo, sendo que Ramiro, Matheus Biteco e Riveros devem ser os escolhidos. No ataque que a situação pode mudar. Barcos pode ganhar a companhia do jovem Erik, recentemente promovido da base gremista por Felipão.

Na parte final do treino de sexta-feira Felipão adotou uma das práticas que particularmente sempre gostei: a famosa série de cobranças de falta. E nesta atividade Erik foi o atleta que teve o melhor aproveitamento. É um garoto que veio da várzea do Rio de Janeiro e passou pelo Juventude antes do Grêmio trazê-lo para lapidação. Poderemos ver neste sábado um prenúncio do que ele poderá render, sempre lembrando que é um jovem que recém está recebendo suas primeiras chances. Felipão, matreiro como ele, certamente saberá como aproveitar seu potencial da melhor maneira.

Uma vitória em Curitiba não só faria o tricolor entrar no G4, como também deixaria em polvorosa uma turma que está a fim de ingressar lá. Mas talvez este ano a flanela venha a funcionar novamente, como tem sido costumeiro.

Saudações Imortais

23 de outubro de 2014

Avalanche Tricolor: nossa hora está chegando

Por Mílton Jung

Grêmio 1 x 0 Figueirense
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio


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Barcos chega a marca simbólica dos 28 gols ao decidir a partida desta noite na cobrança de pênalti. Foi a meta que ele se propôs ano passado, registrada no número da camisa, mas que só foi alcançada nesta temporada. É o nosso goleador e um dos maiores goleadores do futebol brasileiro na atualidade. Joga sempre no sacrifício, quase isolado, a espera de bolas que poucas vezes chegam redonda aos seus pés. Os zagueiros, no cumprimento de suas funções, são implacáveis com ele. Apanha por trás, por baixo e por cima. Não bastasse o que sofre lá na frente, é constante sua presença na nossa defesa. Hoje, salvou ao menos dois cruzamentos na nossa área. E, com a personalidade que lhe é comum, cobrou pênalti da maneira clássica: chute forte e no alto, sem qualquer possibilidade de o goleiro esboçar defesa. Cumpriu seu papel.


Peço perdão a Barcos, porém. Em data tão significativa para nosso atacante, vou dividir a dedicatória desta Avalanche com outro gremista que há algum tempo merece toda nossa reverência. Refiro-me a Marcelo Grohe que a cada partida revela-se maior, seja por defesas espetaculares, como as feitas em jogos passados, seja pela segurança que transmite, como na noite desta quarta-feira. Em jogo no qual a atuação do time foi mediana, Grohe se sobressaiu. As bolas lançadas para a área, os cruzamentos que se aproximavam do nosso gol e os chutes de longa e média distância desferidos pelos atacantes adversários tinham um só destino: as mãos de Grohe. Por cima, por baixo e por todos os lados. Só dava ele. E, foi o que percebi assistindo à partida pela televisão, o torcedor no estádio reconheceu seu talento ao comemorar cada intervenção de nosso goleiro como se fosse uma conquista.

No fim e ao cabo, o fato de o Grêmio estar rondando o G4 a pelo menos 13 rodadas deste campeonato, tem muito a ver com o desempenho desses dois talentos. Barcos, que fez mais da metade dos nossos gols na competição (13 de 25), e Marcelo Grohe, que comanda a defesa menos vazada do Brasileiro (levamos apenas 17 gols até aqui). Tem a ver com eles e com Luis Felipe Scolari que, independentemente de todas as críticas que ouça, construiu um time do tamanho do elenco que tem em mãos e cultiva uma paciência impressionante. Felipão nos faz jogar sempre no limite. Vem cozinhando os adversários rodada após rodada. Muitas vezes nos causando incômodo, desconformidade, mas convicto de que o bote para o G4 tem de ser definitivo, na hora certa. E a hora está chegando (tua batata tá assando).

22 de outubro de 2014

Vitória feia e chorada

Grêmio 1  x 0  Figueirense


Primeiro Tempo: 1 x 0


Felipão optou por começar o jogo com Matheus Biteco no lugar de Fellipe Bastos. O Grêmio começou pressionando e dando trabalho ao goleiro adversário. Mas aos doze minutos, Grohe faz ótima defesa de chute forte no canto colocando a bola para escanteio. Logo depois, o Tricolor responde com cobrança de falta por Luan, que chuta por cima do gol. Aos 18 minutos, Barcos entra na área após passe de Zé Roberto, mas o bandeira erra e marca impedimento. O Grêmio pressiona muito mas o Figueirense consegue resistir. Com dificuldade para articular as jogadas, o time gremista sente dificuldades nas conclusões do ataque. Aos 36 minutos, Zé Roberto avança para dentro da área com a bola dominada. No carrinho, o adversário toca a bola com o braço: pênalti. Barcos bate com grande categoria alto e forte e faz 1 x 0.
O jogo no primeiro tempo foi pobre tecnicamente.  Falta uma articulação de qualidade que leve a bola mais bem trabalhada para o ataque. Luan deveria jogar na sua posição de origem e não como articulador. Ele cai muito de produção fora do lugar onde sabe jogar.

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Segundo Tempo: 0 x 0

Sem alterações, a equipe volta no mesmo ritmo, com o Grêmio buscando ampliar o placar. Em jogada espetacular de calcanhar, Barcos perde o segundo gol, que seria de placa. O Grêmio se impõe levemente ao Figueirense e cria as melhores alternativas. Mas um jogo que era para ser fácil, o Tricolor conseguiu tornar difícil. Aos 26 minutos, sai o Luan para a entrada do Wallace. O Grêmio passa a aceitar a marcação do time do Figueirense e não consegue se impor. Aos 40 minutos, entra o estreante Erik no lugar de Dudu. Rivaldo entra de maneira criminosa em Barcos e é expulso. Na prorrogação entrou Alán Ruiz, sabe-se lá por quê.
Não gostei do time. Muito volante para pouco adversário. Acho que o Grêmio pode fazer bem melhor que isso que vimos hoje. Mas a vitória veio a calhar. Feia e chorada. Ao estilo de Felipão.

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Como jogaram:

Marcelo Grohe: perfeito
Pará: o mesmo média 5
Geromel: perfeito
Bressan: eficiente
Zé Roberto: muito participativo
Riveros: cumpriu bem a missão
Ramiro: não justifica a titularidade
Matheus Biteco: não fez um bom jogo
Luan: fora de posição, não rende o que pode
Dudu:batalhador
Barcos: um dos melhores


Wallace: sem tempo
Erik: sem tempo
Alán Ruiz: sem tempo

Felipão: no seu lugar, eu daria o lugar de Dudu para Luan e não manteria Ramiro na titularidade.


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Arbitragem: Vinícius Furlan, auxiliado por Rogério Zanardo e Vicente Romano Neto. Foi como deve ser: não atrapalhar o jogo.

21 de outubro de 2014

O novo presidente

Todos os dias eu faço uma verdadeira via crúcis por blogs de todos os tipos. De esportes à política, economia, artes, entretenimento, etc. Enfim, aprecio muito a boa informação. Com formação em Jornalismo, adoro estar por dentro das notícias e estou sempre procurando novidades e acontecimentos. Assim, há alguns meses, desbravando a internet descobri por conta o Blog do Prévidi, um jornalista gaúcho que escreve sobre o dia a dia da política, economia e variedades. E desde então, todos os dias dou uma passadinha por lá para em busca de informações e diversão. As charges e fotos que lá são publicadas muito me fazem rir.
Pois então, agora à noite ao acessar  o blog do Prévidi, encontrei um post sobre o novo presidente eleito do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Romildo Bolzan Jr. e senti vontade de compartilhar com vocês. Muito bem escrito, o texto revela um pouco do perfil do novo mandatário gremista. Não conheço pessoalmente o jornalista José Luiz Prévidi, mas acho que ele não ficará zangado se eu reproduzir abaixo o seu texto. E agradeço desde já, mesmo ele não sabendo da minha intenção.
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O ROMILDINHO



Romildinho e Romildo

Como acompanho esporadicamente o noticiário de futebol, só ontem à tarde fiquei sabendo da eleição de Romildo Bolzan Jr. para a Presidência do Grêmio de Porto Alegre.
Não sou gremista mas não tenho absolutamente nada contra os gremistas. Fui muitas vezes ao Olímpico e ainda não conheci a Arena, apesar de ter sido convidado para a inauguração (apenas como curiosidade: para a reinauguração do clube que tenho simpatia, o Internacional de Porto Alegre, não fui convidado). Sou Colorado, o que não me impediu de ir até Montevidéu para assistir Grêmio e Peñarol, naquela histórica Libertadores - bah, foi um sacrifício danado! Hahaha!!
Na eleição passada gostei que o Nestor Hein foi eleito vice-presidente. Pelo que sei, Nestor se desencantou com a "política" clubística e encontrará outra forma de ajudar o seu clube. É uma pena, porque a presença dele era um alento para os que torcem pelo futebol, que não predomine o espírito das mutretas e sacanagens. E, muito legal, sem aquele fanatismo idiota, que vários "dirigentes" adoram.
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Romildo Bolzan Jr. é uma boa notícia para o futebol. Não apenas para o Grêmio.
Se prevalecer a sua experiência administrativa, as loucuras e picaretagens com jogadores vão cessar - pelo menos no Grêmio. E será um bom exemplo para o Internacional e demais clubes falidos do futebol brasileiro.
Para quem não o conhece, ele foi três vezes prefeito de Osório. Está acostumado a trabalhar com pouco dinheiro e com uma rígida fiscalização do Tribunal de Contas do Estado, fora os ministérios públicos da vida.Tenho certeza de que não pagará 40 mil reais para um bedel da diretoria - como fez há alguns anos um "dirigente" que hoje se dedica a fazer provocações baratas no rádio.
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Romildinho será um bom presidente porque teve um bom exemplo em casa.
Seu pai, Romildo Bolzan, foi um homem público íntegro.
O conheci quando era líder da bancada do PDT na Assembleia. E eu repórter do Zero Hora e fazia a cobertura diária do partido. Durante anos, bati longos papos com ele. Durante estas conversas, fumava um Charm atrás do outro e se dedicava a triturar caixas de fósforos. No gabinete do deputado conheci Carlos Eduardo Vieira da Cunha, o Vieirinha, e presidente da Juventude Trabalhista (depois Socialista). E também o Romildinho, que sempre viveu em Osório.
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Romildo pai era gremista doente.Natural que Romildinho também fosse.
Acreditem, é sócio gremista há 51 anos - está com 54 anos.
Romildo pai faleceu em 2001, aos 69 anos.
Se é possível acompanhar, o velho Bolzan deve estar orgulhoso de seu guri.



19 de outubro de 2014

Avalanche Tricolor: um jogo sob o impacto da cintilação ionosférica

Por Mílton Jung

Goiás 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Serra Dourada (GO)


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O futebol é rico em expressões que tentam explicar o que acontece dentro de campo; claro que nessa diversidade há exageros e distorções. Durante muito tempo, se dizia do time que estava perdendo o jogo que teria de correr atrás do prejuízo. Parece que hoje estamos todos convencidos de que o objetivo mesmo é correr em busca do sucesso. Deixe o prejuízo para trás.

Acho curioso, também, quando comentaristas falam que o time joga por apenas uma bola, como se isto não fosse uma imposição da regra. Nesse caso, porém, justifica-se: a equipe mantém o jogo em banho-maria (e eis mais uma dessas expressões) a espera de um contra-ataque ou uma bola lançada para dentro da área adversária.

Com isso, lembro de outra expressão comum, que por muito tempo identificava o time do Grêmio: é forte na bola parada. É usada para times que fazem gols de escanteio ou falta. Tenho saudades de um gol assim, ultimamente está difícil até acertar cobrança de escanteio (não é, Fernandinho?). Acabo de lembrar de mais uma: joga com o regulamento embaixo do braço, que serve mais para as competições mata-mata. Já fomos bons nisso, também.

Para não cansar o caro e raro leitor desta Avalanche, registro a última: joga no erro do adversário. Serve para quem abre mão da posse de bola, marca forte e fica a espera do passe ou lançamento errado do time oposto.

A despeito da falta de graça e emoção da partida de sábado à noite, no Serra Dourada, fui surpreendido ao ser apresentado a outra expressão que não sabia ter relação com o futebol: cintilação ionosférica. Foi Milton Leite da Sport TV, narrador de primeira, quem a usou para explicar – não um fenômeno esportivo – os problemas no sinal de transmissão da partida. A imagem travava e impedia que soubéssemos como seria a conclusão da jogada, apesar de que pelo andar da carruagem já não esperava grande coisa mesmo.

A ionosfera, camada que está de 50 até cerca de 1.000 quilômetros de altitude, ajuda nas transmissões a longa distância. É uma espécie de espelho que reflete o sinal das rádios de ondas curtas e, no passado, por exemplo, permitia que ouvíssemos emissoras de outros continentes nos famosos Transglobe. Nela também são refletidas as ondas de televisão e o sinal de GPS. O espelho às vezes causa distorções, produzidas por irregularidades na distribuição de életrons (não se perca nos detalhes), especialmente entre o pôr do sol e à meia-noite, em regiões de baixa latitude, como o Brasil. Situação que piora com os períodos de máxima atividade solar.

Como se vê nem tudo que cintila é ouro, e esta cintilação, além de ter prejudicado a transmissão da TV, pelo visto, influenciou o desempenho do nosso time que, assustado com o calor de 34º e umidade relativa do ar em 11%, apesar do anoitecer, fez questão de jogar com o pé no freio. Havia momentos em que antes de a bola chegar, nossos jogadores já posicionavam o corpo para passá-la para trás. Quando alguém arriscava correr, terminava o lance extasiado. Verdade que alguns dos nossos craques, como Luan, sempre parecem jogar cansados. Aliás, porque ele faz tantos gols com a camisa da seleção e não repete este desempenho com a do Grêmio? Marcelo Grohe com seu mal-estar foi o personagem do jogo, seja por refletir fisicamente o que todos pareciam sentir, o que o levou a ser substituído, seja pela defesa precisa (e sortuda) que fez em contra-ataque inimigo.

Tinha a expectativa que, em Goiânia, recuperaríamos os pontos perdidos no jogo anterior, em São Paulo, o que nos colocaria dentro do G4. Parece-me, porém, que o desempenho que tivemos atendeu a estratégia combinada no vestiário, haja vista que sequer tentamos substituir jogadores com o intuito de dar mais dinamismo na partida. O entra e sai foi apenas para fazer mais do mesmo. Nossos comandantes têm mais paciência do que eu. E talvez estivessem cientes do risco que corríamos frente a cintilação ionosférica.

Que nos próximos e finais compromissos deste Brasileiro o fenômeno não volte a prejudicar o sinal da TV nem a vontade de jogar do nosso time.