27 de maio de 2015

Daniel Matador - Quando 6 é muito mais que meia dúzia



Caros

Após uma semana em que toda a imprensa tomou um verdadeiro nó cego da direção e chutou todos os nomes possíveis e imagináveis, sem contato acertar sequer na trave, o Grêmio anunciou o substituto do técnico Luís Felipe Scolari. E quem chega para comandar o tricolor é justamente um ex-atleta de Felipão, lançado por ele no clube quando tinha apenas 19 anos. Roger Machado Marques, ou simplesmente Roger, foi um dos ícones do lendário Grêmio de 1995. Era apenas um garoto quando, em 1994, Felipão pinçou-o das categorias de base, deu-lhe a camisa 6 e colocou-o na lateral esquerda do time. Uma posição e uma camisa das quais o garoto criado no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre, tomou conta e posse durante toda uma década.

Roger já era titular da lateral esquerda gremista em 1994, com apenas 19 anos.
 
Roger foi um jogador multicampeão pelo Grêmio. Logo em seu primeiro ano entre os profissionais conquistou a Copa do Brasil de 1994 de forma invicta. No ano seguinte teve sua consagração com o time que libertou a América. Em 1996 foi campeão brasileiro e da Recopa Sul-Americana. Em 1997 fez o cruzamento para o gol de Carlos Miguel que calou o Maracanã lotado e deu ao Grêmio sua terceira Copa do Brasil, também de maneira invicta. Em 1999 conquistou a Copa Sul e em 2001 ergueu sua terceira Copa do Brasil pelo tricolor, no ano do tetra gremista nesta competição. Também conquistou os ruralitos de 1995, 1996, 1999 e 2001. Roger jogou mais de 700 jogos como profissional, sendo mais de 500 pelo Grêmio. Jogou 7 Libertadores da América, sendo um dos jogadores brasileiros que mais atuou nesta competição.

Roger é um dos jogadores brasileiros que mais vezes disputou a Libertadores da América.
 
No ano de 2004 Roger deixou o tricolor e rumou para o oriente, a fim de defender as cores do Vissel Kobe, do Japão, onde permaneceu por cerca de 2 anos. Retornou ao Brasil para acompanhar o nascimento da filha e foi convidado para jogar no Fluminense. Sob o comando do maior ídolo gremista da história, Renato Portaluppi, Roger bateu um recorde ao fazer o gol que deu o título da Copa do Brasil de 2007 para o clube das Laranjeiras, o quarto troféu desta competição erguido por ele, marca esta que até hoje não foi superada por nenhum outro jogador. Roger também foi convocado três vezes para a seleção brasileira.

Em 2011, Roger atuou como auxiliar técnico no Grêmio.
 
Em 2011, já tendo aposentado-se da carreira de jogador, foi convidado a integrar a comissão técnica do Grêmio como auxiliar técnico. Substituiu o treinador principal em duas ocasiões neste período, justamente em dois Grenais, sendo que em ambos o tricolor foi vitorioso pelo placar de 2 a 1 (o primeiro no remendão e o segundo em Rivera). Em janeiro de 2013 recebeu o diploma de graduação na faculdade de Educação Física, tendo sido aprovado com as notas mais altas da turma. No ano de 2014 dirigiu o Juventude e, ao final da temporada, já fora do clube serrano, passou um período na Europa, onde reciclou-se e teve contato com novas metodologias da área. Neste ano, foi o técnico do Novo Hamburgo, tendo sido desclassificado dentro da Arena justamente pelo Grêmio, em um jogo decidido nas cobranças de tiros livres diretos, após um empate em 1 a 1 no tempo normal.


Presidente Romildo Bolzan apresentou oficialmente o novo técnico.
Fica até estranho ter que apresentar o currículo de um campeão como Roger. Todo gremista deveria ter obrigação de conhecer sua história. Mais do que um atleta, Roger sempre foi um cidadão exemplar. Até hoje me recordo da carta que endereçou à torcida do Fluminense, cuja diretoria não teve a dignidade de chamá-lo para comunicar-lhe que estava dispensado ao final de seu contrato. É possível achar o conteúdo completo da carta na internet. Mas vou reproduzir aqui um trecho que traduz muito da personalidade que sempre moldou o camisa 6:
“Mas este é o futebol. Ou será que esta é a vida do futebol? Vejo pelos exemplos de jogadores que, com muito mais representatividade que eu num clube, são sumariamente dispensados. O que mais me assusta, no entanto, é ver que os menos profissionais, que fazem e acontecem em seus períodos de contrato, com atrasos, bebidas e outras coisitas mais, saem da mesma forma que os que se comportam de forma profissional e regrada. Eu não mudo. Que mudem os outros.”

Roger foi multicampeão pelo Grêmio.

 Este é o técnico que o Grêmio contratou. Um tricolor de alma e que chega com a chancela de ter no currículo conquistas maiores do que qualquer jogador do atual elenco gremista. Que ele possa mostrar para estes que hoje serão seus comandados o significado de vestir as três cores. Para que eles saibam como realmente honrar a camisa riscada de azul, preto e branco. Da mesma forma como um dia um jovem camisa 6 a vestiu e honrou. Bem vindo de volta, Roger. A nação tricolor estará contigo.
Saudações Imortais

26 de maio de 2015

É o Roger


Tem passado glorioso no clube.
É ainda inexperiente como treinador.
O que vai pesar mais?


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Sobre as acusações ao Rui Costa

As acusações são graves. Muito graves.
Não conheço a credibilidade de quem as fez.
O presidente Romildo desmente as acusações aqui.
Rui nega e promete processar o acusador.
Tudo deverá ser esclarecido e se Rui tem culpa deverá ser punido.
Enquanto isto não permitiremos o linchamento dele e de ninguém nos comentários.

24 de maio de 2015

Avalanche Tricolor: um gol decisivo, no talento e na marra!

Por Milton Jung

Grêmio 1 x 0 Figueirense
Brasileiro – Arena Grêmio


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Tem vezes que tem de ser na marra. Se no toque a toque e de cara para o gol a bola não entra, mete a cara e põe a bola pra dentro. Foi o que aconteceu aos 33 minutos do segundo tempo … sim, foi preciso mais de uma hora e 15 de jogo para furar a retranca do adversário .. e daí? O que importa é que a bola entrou. Finalmente entrou no gol deles e não entrou no nosso. Aliás, quase não demos chance para que isso acontecesse.

Para muitos foi apenas mais um gol qualquer no Campeonato Brasileiro que, pelo adiantado da hora de sábado, sequer deve ter o destaque merecido na programação esportiva de segunda-feira. Para mim, um gol especial, resultado de uma conjunção de fatores que fazem o futebol ser mais bem jogado. Não que estivéssemos jogando uma bolão. Até vínhamos tentando, pressionando, trocando bola, chutando e desperdiçando. Merecíamos mesmo a vitória nem que fosse na marra. E foi: na marra e no talento.

É provável que muitos não se lembrem como tudo começou. Foi no avanço de um dos nossos volantes, Maicon, que se aproximou da área, levou a bola para um lado, puxou para o outro, até encontrar um companheiro melhor colocado.

Era Mamute, que segue entrando no segundo tempo, quem aparecia ali na meia esquerda. Ele e o seu marcador (pobre dos marcadores de Mamute). O atacante ameaçou atropelar o adversário como gosta de fazer quando está na direção do gol, mas preferiu dar um passe de calcanhar para o lateral que descia para a linha de fundo.

Era Marcelo Oliveira, que já havia tentado alguns dribles interessantes, quem apareceu em disparada pela ponta esquerda. Desta vez não pensou em driblar nem avançar. De primeira, com a perna esquerda, fez o cruzamento para dentro da área, na aposta de que lá dentro haveria de surgir um centroavante com estatura suficiente para vencer os grandalhões do time catarinense.

Era Braian Rodríguez, que saiu do banco, do ostracismo, da insignificância, quem se jogou entre os zagueiros para deixar a bola explodir no seu rosto e ser desviada para dentro do gol. Um pouco antes havia feito algo parecido com os pés, quando aparentemente não tinha mais nem uma chance de superar o marcador. E eu fiquei pensando sobre o tamanho do desespero deste gringo para voltar a marcar com a camisa do Grêmio, algo que havia feito apenas uma vez, desde que chegou. Pois não é que, em seguida, ele marcou.

E Braian marcou um gol decisivo neste momento de dificuldades, porque o time e a torcida não suportariam mais uma rodada sem vitória e rondando a zona do rebaixamento. Isso é como um vírus que vai contaminando os espíritos, a alma, e provoca o desespero. De repente, tudo que se constrói, não se sustenta. O que se tenta, não se realiza. O gol de Braian despachou este risco no instante em que o Grêmio padece por suas estratégias erradas fora de campo e interesses individuais que se sobrepõem ao coletivo – fórmula perfeita para o desastre.


Sem perder o foco da minha conversa: disse lá no alto do texto que o gol gremista foi a conjunção de fatores que fazem o futebol ser mais bem jogado. Volante com saída de bola, atacante com passe preciso e desconcertante, lateral fazendo jogada pela linha de fundo, cruzamento na medida e centroavante oportunista.

Seria pedir demais repetir a dose semana que vem?

A foto que ilustra este post é da conta oficial do Grêmio no Flickr

23 de maio de 2015

Daniel Matador - Respeitem a camisa, respeitem o 9

Braian Rodriguez marcou o gol da vitória tricolor na Arena.

Caros

Felipão já não está mais entre nós. James Freitas é o comandante interino até a chegada do novo técnico. A imprensa chuta todos os nomes possíveis e imagináveis porque não tem fontes, essa é a grande verdade. Mas isso pouco importa para o time que entrou na Arena para curtir os embalos de sábado à noite. Esse horário das 21h de sábado é pra matar. Mas jogo marcado é jogo a jogar, e lá se foi o tricolor cumprir a tabela e enfrentar o Figueirense. Como novidade, a estreia da nova camisa celeste feita pela Umbro. Lindíssima, por sinal. A marca inglesa tem feito um trabalho soberbo para o Grêmio.

James Freitas armou o time com Grohe no gol, fazendo seu último jogo na Arena antes da Copa América. Rhodolfo e Erazo formaram a dupla de zaga por conta de uma lesão de Geromel. Como já havíamos antecipado aqui anteriormente, Matías Rodriguez foi dispensado e Galhardo assume a lateral direita, com Marcelo Oliveira na esquerda. No meio campo, Wallace, Maicon, Douglas e Giuliano ficaram com a missão de municiar Luan e Pedro Rocha, que recebeu mais uma chance de mostrar serviço.

Primeiro tempo: Grêmio 0 x 0 Figueirense

Aos 9 minutos, o placar quase foi inaugurado após Rhodolfo e Erazo tentarem interceptar uma cobrança de escanteio. Aos 18, boa jogada de Galhardo, com a bola chegando para Luan, que arrematou, mas não marcou. Aos 20, Galhardo recebe cartão amarelo após dura chegada no jogador do Figueirense. Aos 21, dois jogadores do Figueira ensanduicharam Pedro Rocha, inclusive com um carrinho na jogada, mas o árbitro entendeu que foi lance normal e mandou seguir adiante. Aos 23, uma jogadaça que começou com passe primoroso de Douglas para Giuliano, que chutou para defesa do goleiro, com a bola passando muito próximo da trave e indo a escanteio.

Aos 25, Marcelo Oliveira recebe, domina, chuta e marca o gol, que o árbitro invalida assinalando impedimento. Aos 29, grande jogada de perigo de Claiton, do Figueira, que driblou meio time; Rhodolfo isolou e deu uma bronca geral na galera. Aos 31, Giuliano recebeu de costas na área e, na hora de fazer o giro, emulou um pião e errou de forma inacreditável um passe que deixaria Pedro Rocha na cara do goleiro dentro da área. Aos 32, amarelo para o jogador do Figueirense que deu um rapa em Marcelo Oliveira. Aos 35, Douglas bate uma falta na meia-lua que passa raspando a forquilha. Aos 41, cartão amarelo para Wallace, que matou o contra-ataque do time catarinense. E o árbitro encerrou um primeiro tempo moroso aos 47 minutos.


Segundo tempo: Grêmio 1 x 0 Figueirense

O tricolor retornou para o segundo tempo com Braian Rodriguez no lugar de Pedro Rocha. Aos 3 minutos, o centroavante foi acionado e o Grêmio chegou com perigo em uma boa jogada tramada na frente da grande área, porém sem chutar a gol. Aos 6 minutos, após trocentos milhões de faltas cometidas, o jogador Cereceda, do Figueirense, finalmente recebe cartão amarelo por conta de uma falta em cima de Galhardo. Aos 8, um chute desviou em Rhodolfo e Grohe defendeu sem maiores problemas. Aos 10, mais um amarelo, desta vez para Douglas. Aos 12, Luan ia passando de viagem e Fabinho aplicou um carrinho, sendo justamente amarelado por isso. Aos 15, Luan puxou um contra-ataque e acionou Braian, cujo chute foi interceptado pela zaga. Aos 18, Giuliano fez grande jogada, porém demorou para dar prosseguimento e conseguiu apenas o escanteio. Aos 19, Douglas sai para a entrada de Mamute.

Aos 21, Giuliano vem na corrida e chuta da entrada da área, mas a bola sai para fora. No minuto seguinte, o jogador do Figueira dá um pataço que manda a bola quase para fora da Arena e o árbitro, inacreditavelmente, assinala escanteio. Aos 25, Giuliano novamente perde mais uma chance. Aos 26, Galhardo sentiu e saiu para a entrada de Fellipe Bastos, que assumiu de forma improvisada a lateral direita. Aos 29, Luan chutou, a bola pegou grande efeito e estourou no travessão. Aos 33, finalmente uma jogada decente. Marcelo Oliveira cruzou e Braian cabeceou para anotar o gol tricolor e formar o descontrole na Arena. Esta é uma regra pétrea do futebol. Por pior que seja, o 9 tem de ser respeitado. E o Figueirense cometeu o erro de subestimar um 9 dentro da área. Mesmo que ainda esteja devendo, Braian estreou a nova camisa em grande estilo, como um centroavante deve fazer. Aos 35, Luan entrou a dribles na área e chutou para grande defesa do goleiro. Aos 43, Braian recebeu cartão amarelo. Aos 45, Marcelo Oliveira fez uma jogada plástica e meteu uma bola pelo meio das pernas de seu marcador, o qual fez a falta e levou cartão amarelo. Aos 47, Mamute teve a chance para marcar, mas não conseguiu. E aí o árbitro encerrou a partida que decretou a primeira vitória tricolor no Campeonato Brasileiro.





Como jogaram:

Grohe: praticamente assistiu o jogo sem pagar ingresso. Nota 6
Galhardo: teve performance melhor do que seu antecessor Matías Rodriguez, o que não é nenhum grande mérito. Nota 6
Rhodolfo: a segurança de sempre. Nota 6
Erazo: substituiu Geromel e não comprometeu. Nota 6
Marcelo Oliveira: chegou a marcar um gol, porém a arbitragem anulou. Fez o cruzamento para o gol de Braian. Meteu uma janelinha em seu marcador no final do primeiro tempo. Nota 7
Wallace: cumpriu bem a função. Nota 6
Maicon: fez boa dupla com Maicon. Nota 6
Douglas: bateu uma falta com perigo no primeiro tempo e deu uma boa assistência. Foi tudo o que fez durante o jogo. Nota 5
Giuliano: esteve muito aquém do que já produziu. Errou alguns lances bisonhos. Nota 4
Luan: um dos poucos que tentou alguma coisa. Fez várias incursões à grande área e tentou conclusões, porém sem sucesso. Nota 7
Pedro Rocha: não conseguiu dar andamento ou conclusão a praticamente nenhuma jogada. Foi substituído por Braian. Nota 4

Braian Rodriguez: fez o que o centroavante tem de fazer e anotou o gol. Nota 7
Mamute: não conseguiu o sucesso que teve em outras jornadas. Até tentou, mas não conseguiu grandes vitórias pessoais. Nota 5
Fellipe Bastos: considerando a função improvisada de lateral, até que não comprometeu. Mas também não foi nada excepcional. Nota 6

James Freitas: montou o time com o que havia. Levou a torcida ao desespero ao sacar Pedro Rocha e botar Braian no intervalo. Mas o gol do centroavante mostrou que ele tomou a decisão certa. É interino e, nesta condição, só o fato de haver conseguido uma vitória já é um feito. Nota 7

Arbitragem: Luiz Flávio de Oliveira é irmão de Paulo César de Oliveira e segue os passos do irmão, que possui cadeira cativa na GGL (Galeria dos Grandes Ladrões). Conseguiu inclusive a proeza de aplicar cartão amarelo no goleiro Tiago, que estava no banco de reservas. Também deu cartão vermelho e expulsou um gandula. Sim, um gandula. Economizou nos cartões para o time catarinense. Tirando todas estas pixotadas, não roubou muito.

O Grêmio jogou para o gasto, mesmo considerando que o primeiro tempo foi sofrível. No segundo tempo, uma ligeira melhora. Algumas peças ainda estão devendo, principalmente Giuliano. Braian acabou surpreendendo, mesmo que até agora esteja devendo também. Uma nota positiva é, como sempre, a torcida. Mesmo com esse horário de boate, quase 10 mil almas estiveram na Arena para apoiar o clube e foram premiados com a vitória. Agora é preparar-se para a próxima fase da Copa do Brasil e também para o jogo seguinte do Brasileirão, contra o Goiás, no fatídico Serra Dourada. De bom, ao menos o fato de que o jogo será no domingo, às 16h, e será transmitido pela TV aberta. Não importando quem esteja na casamata, a torcida permanece. Porque o Grêmio é o Grêmio. Respeitem a camisa.

Saudações Imortais

22 de maio de 2015

Moral de cueca e amarelão

- Cê fica, Doriva!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



E Doriva amarelou...

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Eurico Miranda, muito prazer...



21 de maio de 2015

Os erros da direção e do Felipão

Pego pela turbulência tricolor em meio a uma viagem assisti a tudo quieto no meu canto. Não com desinteresse, obviamente. O whats up (zap zap para alguns) funcionou o tempo todo.
Hoje resolvi escrever algumas linhas sobre  que penso e o que vi e ouvi de longe.
Felipão saiu como entrou: com sua idolatria intocada. É claro que os urubus da imprensa e algumas hienas da oposição saltaram para atacá-lo.
"Brasileiros cansaram de técnicos estilo Felipão".
"Felipão é ultrapassado".
"Presidente Romildo não soube compor com os grupos políticos."
"Felipão mandava no clube".
Blá-blá-blá.
Pois eu penso que Felipão cometeu erros sim. E a direção ajudou-o para que cometesse estes erros.
Felipão foi trazido pelo grande presidente Fabio Koff e a ele se reportava.
Quando o presidente Koff deixou a presidência e depois, por problemas particulares, deixou a vice-presidência de futebol, Felipão ficou órfão. Esta orfandade parece ter se agravado quando o nosso maior presidente foi abatido por uma doença grave que o deixa há mais de um mês quase incomunicável num leito hospitalar.
A vice presidência não foi reposta e o diretor escolhido para comandar não tinha 0,00001 % da força e do carisma do antecessor. Não tinha sequer o respeito de grande parte do conselho, dos associados e da torcida. Rui Costa é um executivo, não faz a parte política.
Sem respaldo e solto, Felipão cometeu um erro que foi fatal. Felipão passou a cobrar publicamente a contatação de jogadores e, ainda pior, passou a dizer que o grupo não era bom o suficiente. Ele até pode ter razão, e provavelmente tenha, mas jamais poderia tê-lo feito para fora das paredes da Arena. E muito menos dizer um dia sim e outro também. O seu gremismo pode ter sido o motor a impulsioná-lo a cometer este erro.
O resultado pode ser visto na insegurança do grupo. A cada gol que leva há um descontrole. A cada gol que faz corre a se fechar atrás para tentar manter o resultado de qualquer jeito.
Trazer o sobrinho para a preparação física foi outro erro. Por mais competente que possa ser, passou a ideia de nepotismo.
Estas atitudes e mais alguns outros erros pequenos criaram o caldo para a desconfiança da torcida e para a ação sorrateira dos grupos políticos que sempre apostam no quanto pior melhor.
Senti a saída de Felipão e continuarei a reverenciá-lo como um grande treinador, um ser humano respeitável e um gremista dos maiores.
O post da Pitica sobre ele foi perfeito. Nada mais há a ser dito, por enquanto.
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Mas a vida segue. E agora?
Agora que penso que o que a direção deve fazer primeiro é escolher um vice presidente de futebol. E este não pode ser um simples vice. Tem que ser alguém que entre no vestiário e seja respeitado pelos jogadores. Tem de ser alguém que vá para os microfones e seja temido pelos ondeiros de plantão.
Depois disto, e com a concordância do vice, então sim, escolher o treinador.
Não se espere um gênio porque treinador é o artigo mais em falta no Brasil, quem sabe no mundo.
Me agrada a ideia de uma comissão técnica permanente e de um treinador sem seu staff de aspones. O Grêmio já fez isto no passado e funcionou muito bem.
E me agrada a ideia de um treinador que precisa, e mais do que precisa, que quer fazer nome e crescer profissionalmente.
Cristovão, se se acomodar no que lhe for proposto, é um bom nome. Tenho dúvidas sobre Mancini, outro especulado. Mas aguardemos, que é só o que podemos fazer.
Volto no domingo. Espero já com tudo encaminhado lá pela Arena.

Em compasso de espera

Seguimos aguardando a escolha do técnico.
Enquanto isso, muitas teses, barrigadas e especulações.

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E só para não perder a ocasião


19 de maio de 2015

Obrigado por tudo, Felipão


Felipão não estava feliz.
Quando alguém não está feliz com aquilo que faz, o caminho natural é mudar.
Ele resolveu partir em busca de outros desafios.
Talvez apenas em busca de descanso. Poderá agora aproveitar todas as coisas que o dinheiro que ganhou com seu talento e suor lhe permitir. Muito justo.
Desta vez , sua passagem pelo Grêmio não foi como todos sonhavam.
Não houve faixa, nem taça, nem euforia...
Muito diferente dos anos dourados dos títulos. Foi um tanto melancólico, triste, decepcionante.
Mas esse insucesso não apaga a sua linda história no Imortal Tricolor.
Seu nome ficará para sempre ilustrando a história do clube.
Muito obrigado por tudo, Felipão!
Desejamos muitas felicidades na continuação de sua jornada.

18 de maio de 2015

A hora do pânico

 



Os jogadores do Grêmio estão assustados e temerosos com a responsabilidade e cobranças. Alguns começam a sentir o peso da grandiosidade do clube.
Só isso explica as atuações bisonhas e irregulares dos últimos tempos. Depois de muito pensar, foi a única conclusão plausível a que cheguei.
Estão mais apavorados que os torcedores que, no desespero absoluto, já pedem o Celso Roth e lamentam a saída do Pará.
O Parazin, gente! Dá para acreditar nisso? Não, não dá!
Vejam a que ponto chegou o desespero da torcida gremista: Celso Roth como salvação da lavoura e saudades do Parazinho, o jogador mais odiado dos últimos anos no Grêmio.
Uma coisa é não ter muita qualidade para jogar  no Imortal Tricolor, outra é não ter qualidade alguma e protagonizar lances bisonhos, que nem em campeonato de várzea a gente vê. Por mais que a torcida diga e grite que os jogadores são horríveis, nabas, perebas, os piores do mundo, isso não é verdade.
A torcida tem toda a razão em ficar muito frustrada e decepcionada com o time e é direito seu cobrar, mas a verdade é que isso está colocando os jogadores em pânico. É a minha opinião depois das últimas jornadas do time. Vejam bem, não estou colocando a culpa na torcida. Só estou constatando que, emocionalmente, os jogadores sentem-se inseguros com as cobranças, que a cada dia aumentam. É muito tempo sem um título. E isso aumenta a pressão a cada dia que passa. Um fardo pesadíssimo de ser carregado.
Por isso, talvez uma das atitudes mais urgentes da direção no primeiro momento, é  dar um reforço psicológico profissional ao grupo. Estão precisando recuperar a auto-estima e a confiança o mais rápido possível. Não adianta falar que são mimadinhos e é falta de laço. Se fosse tão fácil assim...
Neste momento , o que está faltando é CONFIANÇA ao grupo!
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Felipão 

Com toda a sua experiência e currículo, o Felipão também está assustado e perdido.
Assustado porque, de ídolo, começa a ser escorraçado pela torcida por não encontrar as soluções para o time. A torcida que sempre o venerou. Já chegou no Grêmio vindo de uma frustração enorme na Copa do Mundo, com uma tonelada de críticas sobre seus ombros. E ser treinador dê um clube assim, exige muita fortaleza emocional e equilíbrio.
Por mais capacidade e competência que alguém tenha, é impossível ser 100% imune às derrotas e aos fracassos. Tenho certeza de que ele está se cobrando muito por não estar conseguindo devolver ao clube onde foi acolhido com muito carinho após uma tempestade profissional, a alegria das vitórias. E isso está deixando seu humor cada dia pior.
As pessoas geralmente pensam que alguém por ser experiente e competente nunca se deprime ou perde o rumo.
Não é assim que funciona. Por mais dinheiro e sucesso que possamos ter, estamos sempre emocionalmente suscetíveis  às dificuldades. Existem centenas de exemplo de pessoas bem sucedidas na profissão que sucumbem por não conseguir lidar com seus fantasmas. Todos os dias vemos isso noticiado pela mídia mundial. Cantores, atores, políticos, jogadores... A carga é bem pesada e não é tão simples de lidar.
Então, o Felipão precisa se acalmar, parar de criticar o grupo nas entrevistas coletivas dizendo, por exemplo, que o Grêmio não está à altura dos adversários mais fortes. Não precisa ficar falando isso para justificar as derrotas. Guarde para si seus pensamentos mais cáusticos. Tente elevar o moral do grupo, tente passar-lhe confiança e não o contrário. Se não tiver muito a dizer publicamente, não diga. Fale que estão trabalhando e que ele confia no grupo e pronto! Quanto menos falar, melhor. Sugiro que  faça uma autocrítica de suas atitudes , tanto publicamente quanto no trato com os jogadores.
Resgate na memória o antigo Felipão. Relembre como agia para montar um time e quais os aspectos que levava em consideração. Esqueça o Felipão europeu. Faça de conta que nunca saiu do RS e volte a agir como o gringo que deu muito certo no Grêmio.

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Direção

Sabemos de cor e salteado as dificuldades financeiras do Grêmio para montar um time de alta qualidade técnica. Temos plena consciência de que não vivemos os melhores dias, economicamente falando, mas...
...Mas a direção precisa agir rápido.
O time precisa ser reforçado com urgência, porque ao injetar sangue novo no grupo os próprios atletas sentir-se-ão estimulados. Poderão dividir as responsabilidades com gente nova.
Não estou falando de trazer uma dezena de jogadores, mas sim, de trazer um MEIA ARMADOR de qualidade comprovada  e um LATERAL DIREITO.
Só isso.
Num primeiro momento ,  já seria o suficiente para tentar arrumar o time. Gente nova, sangue novo, qualidade. Todos ficariam satisfeitos: torcida, técnico e jogadores.
Começando com essas peças, podemos aos poucos ir observando como o time se comporta e a necessidades de outras contratações.
Estamos no início do campeonato brasileiro e muita coisa ainda pode ser feita. Vamos lá, presidente! Vamos dar um sacode no vestiário, criar um fato novo positivo, dar alternativas ao técnico, recuperar a confiança da torcida...
É URGENTE FAZER UMA CONTRATAÇÃO DE IMPACTO que tenha liderança e personalidade e traga o torcedor para junto da equipe e comissão técnica. O retorno do apoio do torcedor só acontecerá quando ele sentir que pode ter esperanças.
Num post anterior eu já escrevi que quando o torcedor perde a fé, o clube perde dinheiro.
Volto a dizer, o barato sai caro.

Então, é hora de todos se acalmarem, pensarem com a razão e não só com o coração, e , principalmente, trabalhar. Cada um na sua área.

À torcida mando um recado: continuem cobrando aquilo que vocês têm direito, mas na hora do jogo, dentro da Arena, apoiem. E deixem as vaias para o final se o resultado for decepcionante.

17 de maio de 2015

Avalanche Tricolor: que baita patacoada!

Por Milton Jung

Coritiba 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Curitiba (PR)


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Patacoada! Perdão, mas foi a primeira palavra que retumbou na minha cabeça. Não tenho bem certeza quando a ouvi pela primeira vez. Mas tenho a impressão de que foi meu pai, que não exige apresentações neste Blog, que a usou em algum momento qualquer. Sei lá se disse isso por alguma traquinagem que eu tenha cometido quando criança ou adolescentes, afinal muitas delas mereciam mesmo serem chamadas assim. Talvez tenha sido em referência a bobagens que os governos da época ou colegas de trabalho tenham feito no seu cotidiano. Não lembro bem. Sei, também, muito pouco da origem da palavra. Alguns até arriscam relacioná-la com pataca, moeda de cobre usada em Portugal, no período das colônias. Ao hábito daquela gente que ostentava riqueza se dava o nome de patacoada. No costume caipira, sátiras, histórias de bichos e narrativas surrealistas também são chamadas de moda-de-patacoada. De onde tenha vindo, o certo é que desde que sou pequeno, ouço a palavra relacionada aos mais diversos sentidos, sempre negativos. Confesso que não sei exatamente como empregá-la de forma mais precisa, mas foi quase por instinto que patacoada ecoou na sala de casa, nesse sábado à noite.

E por que patacoada me veio a cabeça? Você, caro e raro leitor deste Blog, já deve imaginar. A cena que assistimos no segundo gol da partida foi uma baita patacoada! Você talvez prefira pixotada, expressão mais próxima das nossas origens rio-grandenses? Ambas sequer são sinônimos, mas todas parecem dar a dimensão de quanto ridículo foi o papel protagonizado por nossos defensores, aos 35 minutos do primeiro tempo, ao tentarem despachar a bola da área e um marcar o outro como não havíamos marcado nenhum atacante adversário até então. Foi significativo ver a bola explodir no peito de nosso zagueiro e ser desviada para encobrir nosso pobre goleiro. Naquele momento, solidarizei-me com Marcelo Grohe e seu sorriso amarelo enquanto, sustentado pelas redes, tentava entender o que seus colegas de área haviam cometido. Teriam pedido desculpas a ele? Deveriam. É o segundo jogo pelo Campeonato Brasileiro em que Marcelo faz o que pode para impedir que a bola entre e nossos defensores são incapazes de cumprir seu papel de afastá-la de dentro da área. Contra a Ponte Preta ficaram assistindo ao atacante chegar no rebote e ontem … bem, ontem foi aquilo que você viu. O Brasil inteiro viu!

Sejamos justos! Fossem só os defensores a errarem, talvez a coisa não tivesse ficado tão ruim assim. Lá na frente também fizemos das nossas patacoadas. Mais uma vez, nossos atacantes estiveram livres diante do goleiro e foram incapazes de marcar. Ao fim do primeiro tempo, Maicon fez excelente lançamento, que deixou Giuliano sozinho no caminho do gol, que vacilou no primeiro momento, que decidiu oferecer a chance do gol a Mamute, que, desajeitado, consagrou o goleiro adversário. Desde o Campeonato Gaúcho tem sido assim: boas tramas de ataque permitem a chegada de alguns dos nossos cara a cara com o goleiro, mas, no momento de definir, a bola teima em não entrar (e a culpa não é dela, ok?).

Sei que já tem gente fazendo terra arrasada, mas não vamos exagerar. Com a cabeça no lugar, conversa no vestiário, afinco no treino e aplicação nas partidas, temos alguns talentos que ainda podem nos ajudar nesta campanha. Agora, parem de fazer patacoada em campo!

A foto é do portal Gremio.net e de autoria de Jason Silva/Agencia Lancepress!