16 de setembro de 2014

Um século de paixão e glórias

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver

 

São 111 anos de história. Mais de um século de paixão e glórias. Que linda história tem o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense!
Oito milhões de torcedores espalhados pelo mundo. Não há continente em que não habite um gremista. Estamos em todos os lugares, fincados firmes e fortes. Confiantes e felizes pelos títulos e glórias deste clube que tem história e tradição.
Parabéns, Grêmio!!!!!
Estaremos sempre juntos, para o que der e vier. Nas vitórias e nas derrotas.
Seja lá onde estiver!!!!!

Imortal Tricolor, tradição e muitos títulos.
 __________

Títulos (193) - 163 Nacionais / 30 Internacionais 

Memorial guarda quase duas centenas de troféus.

Os dados apresentados aqui estão baseados em documentos oficiais do clube, de federações e na imprensa. Eventuais alterações são possíveis a partir da descoberta de novos documentos.

Títulos Internacionais

1949 - Taça do Cinquentenário do Nacional (Troféu Sadrep) - Uruguai
1949 - Copa El President de la Republica de Costa Rica - Costa Rica
1954 - Copa José Gonzalez Artigas - Equador
1961 - Troféu Internacional de Atenas - Grécia
1962 - Troféu Internacional de Salônica - Grécia
1968 - Taça Río de La Plata
1971 - Copa Internacional de Porto Alegre (Taça Prefeito Municipal)
1971 - Taça do Atlântico (Torneio Sul-Americano de Clubes Tricolores)
1972 - Taça Cidade de Salvador
1979 - Troféu Ciudad de Rosário - Argentina
1981 - Troféu Torre del Vigia - Uruguai
1981 - Copa El Salvador del Mundo - El Salvador
1981 - Troféu Ciudad de Valladolid - Espanha
1983 - Troféu “CEL” - El Salvador
1983 - Taça Libertadores da América
1983 - Campeão Mundial Interclubes - Japão
1983 - Copa Los Angeles - EUA
1985 - Troféu Palma de Mallorca - Espanha
1985 - Copa Rotterdam - Holanda
1986 - Copa Phillips - Holanda
1987 - Bicampeão da Copa Phillips - Suíça
1995 - Sanwa Bank Cup (Copa da Amizade Brasil-Japão) - Japão
1995 - Bicampeão da Taça Libertadores da América
1996 - Recopa Sul-Americana - Japão
1996 - Copa Renner (Torneio Internacional de Verão)
1996 - Troféu Agrupación Peñas Valencianas – Espanha
1997 - Troféu Colombino - Espanha
1998 - Taça Hang Ching - China
1998 - Copa Ano Novo 98 - Pepsi Cola – China
2010 - Troféu Fronteira da Paz – Uruguai
Resumo: 30 Títulos

Títulos Nacionais

1981 - Campeão Brasileiro
1989 - Campeão Invicto da Copa do Brasil
1990 - Supercampeão do Brasil
1994 - Bicampeão Invicto da Copa do Brasil
1996 - Bicampeão Brasileiro
1997 - Tricampeão Invicto da Copa do Brasil
2001 - Tetracampeão da Copa do Brasil
2005 - Campeão Brasileiro Série B
Resumo: 8 Títulos

Taças e Torneios Interestaduais

1935 - Taça General Flores da Cunha - RS
1940 - Taça Columbia Pictures - PR
1949 - Taça Correio do Povo - RS
1960 - Copa Tancredo Neves - MG
1962 - Campeão Sul-Brasileiro (Taça da Legalidade)
1970 - Taça Petrobrás - DF
1970 - Troféu Domingos Garcia Filho (Torneio Interestadual de Goiânia)
1971 - Taça Presidente Médici - DF
1999 - Campeão da Copa Sul-Brasileira
Resumo: 9 Títulos

Títulos Estaduais e Municipais

34 vezes - Campeão da Cidade de Porto Alegre
1904¹ - 1905¹ - 1906¹ - 1907¹ - 1909 - 1911 - 1912 - 1913 - 1914 - 1915 - 1919
1920 - 1921 - 1922 - 1923 - 1925 - 1926 - 1930 - 1931 - 1932 - 1933 - 1935 - 1937
1938 - 1939 - 1946 - 1949 - 1956 - 1957 - 1958 - 1959 - 1960 - 1964 - 1965
¹ Taça Wanderpreiss
36 vezes - Campeão Gaúcho
1921 - 1922 - 1926 - 1931 - 1932 - 1946 - 1949 - 1956 - 1957 - 1958 - 1959 - 1960
1962 - 1963 - 1964 - 1965 - 1966 - 1967 - 1968 - 1977 - 1979 - 1980 - 1985 - 1986 1987 - 1988 - 1989 - 1990 - 1993 - 1995 - 1996 - 1999 - 2001 - 2006 - 2007 - 2010
2006 - Campeão da Copa FGF (Taça RS)
2010 - Campeão da Taça Fernando Carvalho (1º turno do Campeonato Gaúcho)
2011 - Campeão da Taça Piratini (1º turno do Campeonato Gaúcho)
Resumo: 73 Títulos

Taças e Torneios Regionais e Municipais

1904 - Taça Wanderpreis
1905 - Taça Wanderpreis
1905 - Taça Wanderpreis
1906 - Taça Wanderpreis
1907 - Taça Wanderpreis
1909 - Taça Sportiva
1910 - Taça Wanderpreis
1911 - Taça Wanderpreis
1912 - Taça Wanderpreis
1913 - Taça Wanderpreis
1914 - Taça Rio Branco
1915 - Taça Rio Branco
1916 - Taça Rio Branco
1922 - Torneio Início de Porto Alegre
1923 - Taça Associação dos Varejistas
1924 - Taça Associação dos Varejistas
1924 - Taça São Pedro
1926 - Torneio Início de Porto Alegre
1926 - Torneio Washington Luis
1926 - Torneio F.C. Porto Alegre
1927 - Torneio Início de Porto Alegre
1928 - Torneio Congraçamento (Taça Fernando Caldas)
1929 - Taça Reivindicação
1929 - Torneio de Preparação de Porto Alegre
1931 - Torneio de Encerramento de Porto Alegre (Noturno Porto Alegrense)
1931 - Torneio Início de Porto Alegre
1932 - Taça Dia do Desporto
1933 - Torneio de Encerramento de Porto Alegre (Noturno Porto Alegrense)
1933 - Taça Dia do Cronista
1934 - Taça Flores da Cunha
1935 - Torneio “Benefício da FRGD”
1936 - Taça Martel
1937 - Taça Martel
1937 - Torneio Início de Porto Alegre
1938 - Taça Dia do Filiado
1938 - Taça José Loureiro da Silva - “Supercampeonato Porto Alegrense”
1938 - Taça Café Nacional
1938 - Torneio de Encerramento de Porto Alegre (Noturno Porto Alegrense)
1939 - Torneio Início de Porto Alegre
1940 - Torneio Taça de Portugal
1942 - Campeão Gaúcho de Amadores
1942 - Campeão Metropolitano de Amadores
1942 - Taça Cambial
1943 - Taça Cambial
1943 - Taça Ernesto Dorneles
1944 - Taça Dia do Cronista
1945 - Taça Dia do Futebol
1946 - Taça General Corrêa Lima
1946 - Taça Casa Sport
1946 - Torneio Início de Porto Alegre
1948 - Campeão da Taça Cidade de Porto Alegre
1948 - Campeão do Campeonato Extra de Porto Alegre
1949 - Campeão do Campeonato Extra de Porto Alegre
1950 - Taça Manuel Amorim Albuquerque
1952 - Taça Rádio Gaúcha
1955 - Copa Farroupilha 120 anos (Dia do Cronista - Taça Bento Gonçalves)
1956 - Taça Dia do Cronista
1958 - Torneio Início de Porto Alegre
1960 - Taça Dia do Cronista
1961 - Taça Dia do Cronista
1962 - Taça Dia do Cronista
1962 - Taça Refinaria Ipiranga
1962 - Troféu Wallig
1963 - Torneio Início Estadual
1965 - Torneio Início Estadual
1965 - Torneio Festa da Uva em Caxias
1967 - Torneio Início Estadual
1968 - Taça Dia do Cronista
1985 - Troféu Sesquicentenário da Revolução Farroupilha
1988 - Taça RBS TV 25 Anos
1995 - Copa Solidariedade (Campanha do Agasalho)
1996 - Taça Cidade de Porto Alegre (Campanha do Agasalho)
2010 - Taça Rádio Pelotense 85 anos
Resumo: 73 Títulos

 

Fonte: site oficial Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense


15 de setembro de 2014

Avalanche Tricolor: piano piano si va lontano

Por Mílton Jung

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Arena Independência


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Antes de começar a rodada, costumo passar os olhos na tabela de classificação, identificar os adversários mais próximos, projetar os resultados e calcular em que posição ficaremos ao fim dos jogos. Claro que na minha rodada imaginária, independentemente de onde e de quem estivermos enfrentando, o Grêmio soma os três pontos da vitória, sempre. Os demais perdem ou empatam. Às vezes até seria bom que todos empatassem. Afinal, se posso sonhar, e o time atual tem nos oferecido esta oportunidade, porque não sonhar com o resultado ideal. Curiosamente, apesar de o exercício que realizo, rodada após rodada, sempre acabo desistindo de acertar as combinações de resultados, não perco meu tempo secando os adversários e foco o olhar no Grêmio. Fico na torcida para que se dê um passo definitivo para dentro do G4 e nos aproximemos dos líderes, pois como bem sabe você, caro e raro leitor desta Avalanche, ainda acredito nas nossas chances.

Minhas projeções otimistas também revelam em parte minha ansiedade de alcançar logo o que buscamos há tanto tempo. Quero ver o Grêmio o mais breve possível entre os primeiros, quero vê-lo campeão. Tenho consciência, porém, que me cabe guardar esta impaciência e aguardar os resultados. Nossa conquista está em construção e não virá de uma hora para outra; uma caminhada na qual temos de conquistar o maior número de “três pontos” possíveis – inclusive fora de casa -, enfrentaremos alguns empates e, infelizmente, vamos amargar uma ou outra derrota. É inevitável em competição tão longa quanto o Brasileiro. Na partida que fechou a rodada deste domingo, a vitória seria o ideal, um diferencial, pois a conquistaríamos na casa de um adversário que praticamente não perde por lá. Mas nosso time e nosso técnico sabiam que a paciência seria a principal estratégia. Levar para Porto Alegre um ponto pelo empate não nos colocaria no G4, mas próximo de alcançá-lo. A maior vitória não sairia do Independência, mas do conjunto de uma obra que começou a ser construída há algumas rodadas com a reorganização do time, o reposicionamento de alguns jogadores, o equilíbrio na marcação dos zagueiros, a segurança imposta pelos três volantes e a movimentação dos homens mais à frente.

Ainda temos muito a crescer e alguns jogadores precisam melhorar a produtividade, mesmo assim enfileiramos quatro vitórias e um empate nas últimas cinco rodadas, e no meio da semana voltaremos para Casa para mais uma partida recheada de nuances pelo passado recente. Felipão, da família Scolari, que tem Verona em sua origem, sabe como ninguém pronunciar, com sotaque e tudo mais, um velho provérbio italiano: piano, piano, si va lontano.

A foto deste post é do site Gremio.net

14 de setembro de 2014

Mais um ponto ganho

Atlético MG 0 x 0 Grêmio

Primeiro tempo: 0 x 0



Aos 2 minutos, Giuliano recebeu na cara do goleiro e perdeu um gol feito. Chutou displicente em cima do goleiro. Asim começou o jogo. O Giuliano poderia ter encoberto, driblado, dado um bago. Fez exatamente o que não poderia.
Grohe fez um milagre aos 8 minutos na primeira chegada do Atlético. Defendeu um chute à queima roupa.
O jogo iniciou pegado e parelho. Até os 15 minutos uma grande chance para cada time. A do Grêmio melhor.
Os mineiros chegaram com perigo de novo aos 19 minutos. Enquanto isto, o tricolor não conseguia mais criar na frente.
Em duas jogadas seguidas o juizinho mostrou que estava armado. Deu amarelo forçado para Ramiro e não deu uma falta escandalosa no Dudu quando ele entraria livre área a dentro. Com sucessão de erros o juiz começou a irritar os jogadores do Imortal, que começaram a entrar na pilha dele.
O Atlético dominava o jogo enquanto o Grêmio não conseguia segurar a bola na frente. Mas não conseguia criar nada.
Mas conseguiu criar aos 30 minutos. O atacante entrou livre, driblou Marcelo mas mandou para fora raspando a trave. Um gol feito perdido.
O Grêmio só foi tentar chegar de novo aos 35 minutos, mas não conseguiu levar perigo.
Aos 40 minutos o Grêmio tentou chegar, mas a bola, da inha de fundo do Atlético foi sendo recuada até a área do tricolor
Aos 44 minutos Dudu ia entrando na área e levou um rapa. O ladrão, de novo, mandou seguir.
Os mineiros chegaram ainda uma vez com perigo. E terminou o primeiro tempo.
.....

Um primeiro tempo em que o Grêmio jogou relativamente bem até os 20 minutos e depois deu espaço.
E um primeiro tempo em que o juiz abusou de roubar do tricolor, o que contribuiu para desestabilizar o time.
Grohe, como sempre, foi muito bem quando exigido. A defesa foi bem, mas o meio de campo e o ataque deixaram muito a desejar.
Segundo tempo: 0 x 0



Surpreendentemente, Felipão voltou com o mesmo time. E os mineiros voltaram continuando a pressão.
Mas aos 2 minutos Barcos entrou bem na área e mandou até a lua na hora de concluir.
O time voltou melhor e controlava os mineiros.
Aos 8 minutos Grohe fez boa defesa em chute de fora da área.
Aos 15 minutos um belo ataque. Pará cruzou e a defesa teve de se esforçar para impedir o gol.
Aos 20 minutos o juiz deu a primeira falta a favor do Grêmio e parou um ataque do Atlético que acabou na rede.
Na sequência o tricolor desperdiçou mais uma falta em cobrança ridícula do Zé Roberto.
Grande jogada de ataque do Imortal aos 27 minutos. Dudu cruzou mas o zagueiro tirou quando Barcos chegava.
O Atlético assustava com contra-ataques rápidos mas também não conseguia situações de gol.
Rhodolfo cabeceou contra a trave do Grêmio aos 37 minutos. No rebote a bola voltou nas mãos de Grohe. Definitivamente parece que a sorte está mudando.
Felipão demorou para fazer substituições e só após os 35 minutos fez entrar Luan e Fernandinho.
O jogo terminou com o tricolor em cima do galo e o juiz sonegando falta. Vai ver é porque ele sabe que falta a favor do Grêmio nunca dá em nada.
.....
Jogo muito difícil em que o empate deve ser considerado como um ponto ganho. 
O time está compactado e dificilmente sofre gols.
Falta ajustar o ataque para fazer gols com mais facilidade.
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Como jogaram

Grohe: Uma defesa espetacular no primeiro tempo.
Pará: Muito firme na marcação. Quase não subiu.

Rhodolfo: Belo zagueiro. Se complementa muito bem com Geromel.
Geromel: Muito bem mais uma vez. O melhor em campo.
Zé Roberto: Quase não apareceu no primeiro tempo. Cresceu bastante na etapa fina.
Ramiro: Levou um cartão amarelo imerecido e sentiu a partir daí. Melhorou no segundo tempo junto com o time.

Fellipe Bastos: Não repetiu jogos anteriores. Mas foi bem mesmo assim.
Mateus Biteco: Não viu a bola no primeiro tempo. Cresceu muito no segundo tempo.

Giuliano: Errou um gol feito no primeiro lance da partida. E sumiu do jogo. Muito mal no segundo tempo também até ser substituído.
Dudu: Muito mal. Mesmos assim ia entrar duas vezes livre na área e foi derrubado em faltas não marcadas no primeiro tempo. Melhorou no segundo tempo.
Barcos: Muito isolado não teve chance nenhuma no primeiro tempo. 


Luan (Giuliano): Sem tempo.
Fernandinho (Dudu): Sem tempo.

Felipão: Demorou para mexer no time. Mas ele sabe o que faz.
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Arbitragem: Jailson Macedo Freitas (Bahia) - Fiquei sem saber se ele é só ruim ou ladrão. Mas que, em qualquer hipótese, é localista, isto é.

13 de setembro de 2014

Daniel Matador - Maldito Futebol Clube




“Não fui o maior treinador, mas sempre estive entre os Top 1.”
Brian Clough, imortal do futebol e gênio da raça.


Caros

O pessoal mais novo, da geração que curte o futebol europeu, mas que não conhece nada além de Barcelona e Bayern de Munique, certamente não tem como lembrar-se de uma época não muito distante, onde o Grêmio era conhecido como o clube mais odiado do Brasil e um dos mais temidos da América. Mesmo com elencos e atletas aparentemente medianos, o tricolor conseguia sobrepujar adversários pretensamente mais fortes e até mesmo aplicar sonoras surras em equipes que eram verdadeiras seleções. Uma das principais características desse Grêmio de outrora era a entrega em campo e o fato de não desistir nunca. Uma postura que costumava irritar por demais os adversários e principalmente o pessoal da imprensa do eixo, que não cansava de fazer campanhas veladas contra aquele time maldito, acusando-o de ser violento e praticar um anti-jogo que não condizia com o “futebol-arte” que deveria ser cultivado no Brasil. Enquanto todos choravam, o tricolor vencia jogos e erguia taças.

Pois esse mesmo pessoal da nova geração, que adora usar uma camisa do Real Madri ou do Manchester United só por modinha, provavelmente não tem nem ideia da história do verdadeiro futebol europeu, que muito influenciou o próprio Grêmio. Em 2009, o diretor Tom Hooper comandou a adaptação do livro de David Peace e fez um dos mais memoráveis filmes sobre futebol da história. Ouso dizer que é o melhor já feito até o momento. Maldito Futebol Clube conta a história real de Brian Clough, um ex-jogador que após ter atuado pelo Middlesbrough e pelo Sunderland, encerrou prematuramente a carreira aos 29 anos, por conta de uma grave lesão. Decidiu então tentar a carreira de técnico, tendo recebido a chance de comandar o modestíssimo Hartlepools United, onde ficou por dois anos sem grandes resultados. A passagem por lá, contudo, fez com que ele viesse a iniciar a parceria com Peter Taylor, seu assistente que o acompanhou por grande parte da carreira.

Juntamente com Taylor, Clough assumiu como técnico do Derby County, promovendo uma verdadeira revolução na equipe. Garimparam atletas e conseguiram tirar o clube da lanterna da segunda divisão inglesa na temporada 68/69. Mais que isso: foram campeões nesta mesma temporada, garantindo o acesso à primeira divisão na temporada seguinte, onde conseguiram manter-se. Na temporada 71/72, atingiram o feito inédito de erguer a taça da primeira divisão do campeonato inglês, derrotando equipes poderosas da época, como Liverpool e Manchester City. Clough não tinha papas na língua e detonava a imprensa nas entrevistas. Após ser vice-campeão continental, em uma final perdida para a Juventus, deixou o clube junto com seu fiel assistente Taylor. Passaram por equipes pequenas, até que Clough assumiu o poderoso Leeds United, desta vez sem a parceria de Taylor. Foi boicotado pelos jogadores, durou apenas 44 dias no clube e resolveu tirar férias.

Até que reatou a parceria com Taylor e juntos comandaram o Nottingham Forest em 75. Sem grandes conquistas, o Nottingham era rival histórico do Derby County e estava penando na segunda divisão. Após muito trabalho, em 77 conseguiu o acesso e em 78 conquistou o troféu da primeira divisão, batendo seleções como Manchester, Arsenal e Liverpool. Neste mesmo ano conquistou também a Copa da Liga Inglesa e a Supercopa da Inglaterra, feitos jamais imaginados pelos torcedores do Nottingham, que pela primeira vez na vida veriam o clube disputar a Liga dos Campeões da UEFA. Pois o modesto time eliminou logo na primeira fase o poderoso Liverpool e foi passando de fase, até conquistar o improvável título continental e também a Supercopa da UEFA, derrotando o Barcelona. E no ano seguinte ergueu o bicampeonato europeu da Liga dos Campeões, um feito que nem o mais fanático torcedor do Nottingham imaginaria. Brian Clough faleceu em 2004, aos 69 anos, em virtude de um câncer. Há estátuas e estradas com seu nome na Inglaterra, sendo que até hoje é reverenciado como um verdadeiro mito.

A pequena e resumida aula de história deste post serve apenas para fazer uma singela metáfora com o que aconteceu ao Grêmio em anos passados e, mesmo que timidamente, começa a dar sinais de que está novamente ocorrendo. Felipão é um técnico diferenciado. Assim como Clough, tem um fiel escudeiro, o bigodudo Murtosa, que o acompanha há anos. Também coleciona taças e feitos inimagináveis, levando equipes modestas a grandes conquistas, como o Criciúma, que até hoje conquistou suas maiores glórias por conta dele. E por que não o próprio Grêmio em 94, que nada mais era do que um grupo médio. Mais do que isso, o retorno de Felipão traz ao Grêmio parte de suas características que estavam escondidas em algum lugar. A entrega, a busca pelo gol nos últimos minutos (vide os jogos contra Flamengo e Atlético-PR) e o resgate de atletas pelos quais ninguém dava nada.

Neste domingo o tricolor entra em campo para jogar contra o Atlético-MG, visando as primeiras posições da tabela. O time vem incomodando muito nos últimos jogos. Tudo isso tem levado a outra consequência: o Grêmio está voltando a ser odiado no Brasil. As últimas ações dos tribunais esportivos, dos veículos de imprensa e até mesmo dos árbitros não deixam dúvidas. O Maldito Futebol Clube está de volta.

Saudações Imortais

12 de setembro de 2014

Justiça esquisita num país bufão


Bem , agora que já está decidido pelo "ético e justo" STJD que agredir fisicamente pode e xingamentos não pode, podemos entender o porquê deste país ter se tornado o paraíso dos marginais que praticam a violência física. Matar está liberado, tanto que a lei permite um cadáver por habitante através do tal do infame  "réu primário". A pessoa pode atentar à vontade contra a vida de alguém mas não pegará uma pena pesada porque a pobrezinha ainda não tinha matado ninguém. Se eu estiver errada, por favor, algum entendido me corrija.

Não é piada. É o Brasil, o país bufão da "justiça esquisita". O país onde ocorre comoção nacional e carnaval na mídia contra uma guriazinha que vai no estouro da boiada e xinga o adversário no calor de um jogo de futebol , mas ao mesmo tempo tolera políticos corruptos que diariamente roubam milhões na cara da sociedade  e ainda são premiados sendo reeleitos com toda a pompa e circunstância.

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Vaga

Além de contar com bom futebol e sorte, parece que o líder Cruzeiro também conta com a ajuda da arbitragem. Aí fica impossível competir. O campeão brasileiro já está decidido e nem o Papa Francisco pode fazer mais nada quanto a isso. Sendo assim, a briga é mesmo pela vaga na Libertadores.
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Chutes e passes

Coletivamente a equipe do Grêmio cresceu nas mãos do Felipão. Claramente pode se ver uma evolução na mudança de postura e organização em campo.  Mas por favor, Felipão, coloca os jogadores a treinar chutes a gol e passes. Ensina para eles que antes de soltar a bola para o companheiro, eles precisam estar atentos e não borboleteando em campo. Não dá para perder a bola no meio de campo por desatenção em jogadas simples. Isso é o mínimo que se espera de um profissional que passou quase a vida toda treinando futebol.
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Hamburgueria 1903


Será inaugurada no dia 27 de setembro a primeira loja da Hamburgueria 1903. Ela está localizada na rua dos Andradas (Praça da Alfândega), centro de Porto Alegre. O Grêmio receberá um percentual pela comercialização dos produtos e duas vezes ao ano - Grêmio Day - o lucro será integralmente do clube. Os sócios terão descontos.

O cardápio traz a assinatura da reconhecida chef Lelena César e oferecerá diversas opções ao consumidor. Em cinco anos a intenção é abrir 90 filiais. A Arena receberá em dias de jogos, lojas itinerantes no seu entorno.

11 de setembro de 2014

Avalanche Tricolor: obrigado por nos fazer acreditar que sempre é possível

Por Mílton Jung

Grêmio 1 x 0 Atlético PR
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio


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Poderia começar esta Avalanche agradecendo a Barcos que sozinho dentro da área, em meio a forte marcação adversária, matou a bola no peito, deixou-a correr para o chão e, de virada e de direita, a despachou para dentro do gol. Lance típico dos grandes atacantes. Lance que se espera de um goleador como o Pirata. Uma espera que, às vezes, pode levar mais de 90 minutos, como na noite desta quarta-feira. Quem se importa de esperar. Se esperamos até o fim é porque temos esperança. E Barcos dentro da área é sempre a nossa esperança, mesmo que antes a bola tenha escapado-lhe do pé, tenha sido chutada para fora ou sequer tenha sido alcançada pois ele ficou preso entre os zagueiros.

Poderia agradecer a Fernandinho que pela segunda partida seguida deu assistência para o gol salvador. Assim foi contra o Flamengo. Assim foi contra o Atlético do Paraná. E que sempre seja assim. Hoje, ele já havia corrido muito, às vezes mais do que devia; havia carregado a bola, nem sempre pelo caminho mais fácil; havia desperdiçado oportunidades raras contra uma defesa bem estruturada. E esses desperdícios podem ser fatais. Mas Fernandinho também não desiste. Sempre tem a esperança de que é possível fazer mais. Estava na intermediária quando o ponteiro do relógio (eles ainda têm ponteiros?) passava dos 46 minutos do segundo tempo e a paciência do torcedor parecia ter acabado. Desde lá, mandou a bola pelo alto e a colocou no peito de Barcos – o resto você já leu no parágrafo anterior.

Poderia agradecer, também, a Marcelo Grohe. Se nos últimos jogos, comemoramos vitórias (e mesmo empates), muito disto cabe ao nosso goleiro que tem feito defesas fundamentais, como quando, com uma só mão e à queima roupa, conseguiu evitar o gol na cabeçada do adversário, ainda no primeiro tempo. Marcelo sempre espera o momento certo para agir. Assim como esperou a hora de se transformar em titular absoluto e admirado do Grêmio.

Quero, porém, agradecer mesmo é a Luis Felipe Scolari. Nosso técnico completou apenas um mês no comando do time, reconstruiu uma equipe, mostrou coragem ao fazer substituição no primeiro tempo (ainda que sua coragem não tenha sido retribuída pelo substituto), usou de todos os artifícios para manter o time com a cabeça no lugar apesar do desespero do torcedor e, mais uma vez, aos gritos, ao lado do campo, orientou o caminho do gol. Nem mesmo os erros constantes de alguns dos seus escolhidos, tiraram-lhe a esperança de que a vitória chegaria. No momento de maior tensão, pediu calma a cada um dos jogadores e transmitiu-lhes a certeza de que seriam retribuídos.

Felipão nos trouxe de volta a certeza de que, independentemente da qualidade do futebol apresentado, o time jamais deixará de lutar e acreditar. Nos fez recuperar a esperança, o espírito da Imortalidade que marca a nossa história.

Por isso e muito mais: obrigado, Felipão!

10 de setembro de 2014

Vai ser sempre nos acréscimos? Tomara que sim

Grêmio 1 x 0 Atlético Petralha

Primeiro tempo: 0 x 0


Matias Rodriguez
e Luan foram as novidades. Ramiro e Barcos os retornos esperados. Giuliano no banco a outra surpresa.

Aos 3 minutos o primeiro escanteio e aos 7 minutos Biteco bateu fraco e torto de fora da área. O jogo começou morno. Logo depois o juiz roubou um escanteio claríssimo.
Os petralhas chegaram com perigo aos 9:30 minutos mas Matias Rodriguez rebateu para longe.
O Grêmio nunca pode entrar em campo a meia rotação. Quando faz isto se complica. E os primeiros 20 minutos mostraram um time querendo cadenciar o jogo e com a atitude de quem acha que faz gol quando quer. Perigoso.
Finalmente aos 21 minutos a primeira boa jogada. Iniciou pela ponta direita com Barcos que deu para Ramiro dentro da área. Este cortou o zagueiro e chutou para grande defesa do goleiro. Na continuidade do lance a bola foi cruzada para Barcos que matou entre o ombro e o braço e, na frente do goleiro, bateu para fora. Um gol feito perdido.
Os dois lances agudos pareciam indicar que o Grêmio havia resolvido jogar, mas o jogo continuou com o mesmo marasmo dos primeiros 20 minutos.
Aos 36 minutos quase que acontece o castigo. Os petralhas chegaram com perigo e a cabeçada saiu raspando a trave do Marcelo.
Quando precisava os paranaenses apelavam pesado com o olhar complacente do juiz carioca.
Felipão se irritou com a falta de vontade e mudou o time aos 39 minutos do primeiro tempo. Tirou Wallace, que não fazia má partida e pôs Giuliano em campo.
Aos 44 minutos Grohe fez um milagre. Defendeu um cabeçada a queima roupa. Espetacular.
E foi isto.
.....

Um mau primeiro tempo. Sempre que o Grêmio entra querendo cadenciar o jogo, privilegiar firulas e "jogar com calma" acaba não jogando nada.

E contou com a grande fase de Grohe para não sair perdendo no intervalo. Não que os petralhas tenham jogado alguma coisa. Mas na única chance Grohe teve de mostrar toda sua categoria.

Segundo tempo: 1 x 0


Dudu errou o chute numa cruzada de Giuliano a 4 minutos do segundo tempo. Estava na risca da pequena área.

O Grêmio tentava pressionar mas não conseguia.
Aos 13 minutos Matias Rodriguez cruzou e Giuliano cabeceou para defesa do goleiro. Não que tenha sido uma grande jogada, mas foi o que se tinha para narrar.
Aos 14 minutos Ramiro chutou de fora da área para fora.
Aos 17 minutos saiu Luan, que não jogou absolutamente nada, para a entrada de Fernandinho.
E o jogo continuou sem nada de bom. Uma droga de time. Parecia que Anderson Moreira tinha voltado para o tricolor.
Aos 27 minutos Dudu bateu forte de fora da área. A bola desviou e foi para escanteio. Na cobrança, mais um escanteio foi desperdiçado. Nenhuma novidade. O Grêmio não faz gol de escanteio há 2 anos pelo menos.
Barcos recebeu uma bola na cara do gol aos 35 minutos mas não soube dominar. Rebateu como se fosse uma raquete de tênis.Giuliano deu um cruzamento tão tosco, mas tão tosco aos 38 minutos que deu vontade de sentar na beira da estrada e chorar.
Zé Roberto tentou cruzar duas vezes aos 43 mintos mas errou as cruzadas. Uma boa chance perdida.
Aos 45:30 minutos um susto. Quase gol do Atlético. Sorte que o pereba chutou fraco para defesa de Grohe.
Quando tudo parecia perdido, um golaço de Barcos aos 47 minutos. Recebeu na área, matou no peito e fuzilou sem chances.
Sorte de G4?

.....

Sempre que o Grêmio tem a chance de subir na tabela e se posicionar melhor, treme a perna e entrega a rapadura. Isto tem acontecido desde 2006. 

É irritante. Basta vislumbrar uma chance de chegar a um título, a uma liderança ou mesmo a um simples G4 de uma bosta de campeonato brasileiro e o time se afrouxa todo.
Hoje quase que aconteceu de novo.
Começaram jogando mole como se pudessem fazer o gol sem esforço.
Foram se complicando, complicando e tiveram a sorte de fazer um gol no último lance.
Um grande gol mas que não apaga as dificuldades que o time teve.
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Como jogaram

Grohe: Uma defesa excepcional no primeiro tempo. Nem viu a bola no segundo tempo.
Matias Rodriguez: Não jogou nada. Igual ao Pará.

Rhodolfo: Na esquerda rende muito mais.
Geromel: E o Felipão entregou vários pontos com o lazarento no time. Muito bom zagueiro.
Zé Roberto: Não foi mal não repetiu as jornadas anteriores.
Ramiro: O de sempre.

Wallace: Saiu sem ser o culpado do marasmo do time. Mas Felipão precisava rifar um dos volantes.
Mateus Biteco: No mesmo ritmo molenga do time no primeiro tempo. E no segundo também.

Luan: Não jogou nada. Saiu até tarde demais.
Dudu: Mais dispersivo, muito mais, do que nos jogos anteriores. Não acertou um cruzamento. Não jogou nada. Um pereba que não sabe cruzar e nem chutar.
Barcos: Errou um gol feito no primeiro tempo. Mas fez o gol decisivo. O melhor do time.


Giuliano (Wallace): Entrou jogando o que tem jogado. Ou seja: nada.
Fernandinho (Luan): Este é podre.

Lucas Coelho (Dudu): Entrou no fim. Nenhuma chance de fazer algo.

Felipão: Hoje as mexidas dele não deram certo. Ganhou por um lance fortuito e de oportunismo do Barcos.
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Arbitragem: 
Marcelo de Lima Henrique com Luiz Cláudio Regazone e Gilberto Stina Pereira (RJ) - Economizou cartão, mas não teve nenhum lance polêmico para apitar.

9 de setembro de 2014

Podem vir quentes, estamos fervendo...

Finalmente o Grêmio tem um treinador sem medo de lançar os guris da base. Quantas vezes eu e vocês leitores falamos aqui de que é preciso mesclar experientes com sangue novo? Foram inúmeras... Eu confesso que tenho muita dificuldade para entender como funciona a cabeça de treinadores de futebol. Eles têm muita dificuldade para enxergar o óbvio. Quase sempre escolhem o caminho mais difícil e tortuoso. Adoram um sofrimento. São masoquistas por natureza.

Nesse eu confio. Ele sabe como fazer.


Eu pensava que Enderson Moreira, por ter um histórico de trabalhar nas categorias de base, lançaria inúmeros jovens com potencial e revelaria talentos. Que nada! Fez muxoxo para a gurizada e não se atreveu a segurar o rojão. Só mesmo um técnico consagrado como Felipão para ter cabelo no peito e bancar jovens em clássicos do futebol brasileiro. Só por isso, já valeu a volta de Big Phil. Eu escrevi aqui logo que chegou, que ele por ter sido professor de Educação Física sabia muito bem como trabalhar com a garotada.

Outra boa iniciativa foi fixar Zé Roberto na lateral, medida muito pedida aqui no blog. Era tão óbvia essa possibilidade e os nobres professores nem a cogitavam... Não estávamos tão errados e nem delirando. Quando um campeão como Felipão faz isso, é porque alguma lógica tem. O Zé está jogando que é uma beleza. Aos 40 anos! Não é incrível?!!!!

Pressinto que estamos entrando em uma maré positiva. Como disse o seu Algoz, depois da tempestade vem a bonança. Sinto a torcida gremista mais unida e forte do que nunca. Quero ver a Arena lotada nos próximos jogos. É obrigatório mostrar a força do Grêmio. Mostrar que estamos alertas e pulsantes. Eles que venham quentes. Não tem problema,  porque estamos fervendo.

7 de setembro de 2014

Ide, espalhai a verdade!

Caros

Todos estão a par do injusto, incorreto e ilegal julgamento que sentenciou o Grêmio a uma pena que não lhe cabia na semana que passou.
Já transcrevemos aqui algumas palavras a respeito do ocorrido. Desta vez, contudo, estamos indo além. Diferentemente dos órgãos de imprensa, que apelam para o sensacionalismo barato e sem fundamento, o Imortal Tricolor solicitou o parecer técnico e jurídico de dois gremistas que laboram no ramo jurídico e possuem notável saber a respeito do tema.
Tiago Mallmann Sulzbach é Juiz de Direito e Rogério Souza Couto é Defensor Público. Ambos são gremistas e leitores do blog. O que, por óbvio, não está influenciando no parecer técnico com o qual ambos nos brindam aqui.
Recomendo a todos lerem com atenção este post. Mais do que isso: ide e espalhai a verdade a todos aqueles que encontram-se cegos por conta do clamor dos incautos.
Saudações Imortais

Daniel Matador

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O que Deveria Estar em Julgamento?

            1.         O Daniel Matador me convidou para escrever algumas linhas sobre o que a Terceira Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva  decidiu.  Óbvio que aceitei, até porque sou leitor do Blog há muito tempo. Vamos tentar resumir a discussão jurídica em termos o menos entediantes possíveis.
                        No Direito, a melhor forma de iniciar um debate sobre qualquer coisa é observar o que diz a Constituição e a Lei a respeito. Sobre o que nos informa a Constituição da República, na quarta-feira passada já pude manifestar o que penso sobre o assunto na Zero Hora, em artigo conjunto com o amigo Rogério Couto. Remeto-os para lá, até mesmo porque os auditores a ignoraram solenemente e, assim, até mesmo fugiria do nosso objetivo aqui.
                        Logo, este texto será sobre o que estava em julgamento. Ou sobre o que deveria estar. E, ao contrário do que se imagina, não era o Grêmio, mas sim o art. 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva o grande objeto da controvérsia. Assim está descrito o comando legal:

“Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
PENA: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
§ 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
§ 2º A pena de multa prevista neste artigo poderá ser aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e XI do art. 170. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
           
             2.        A primeira pergunta que salta aos olhos é: de quais fatos que o Grêmio estava sendo acusado afinal?
                        Diz-se isso, porquanto o goleiro Aranha foi vítima, em tese (lembrando que não há condenação passada em julgado), do crime de injúria racial, previsto no art. 140, § 3º, do CPB, que prevê “Injuriar alguém (...) utilização de elementos referentes à raça, cor, ernia, religião, etnia ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência..”
                        Ressalto que o crime é injuriar alguém, ou seja, é direcionado a um indivíduo determinado.
                        Outra é a disposição legal do crime de racismo, que não é direcionado a um indivíduo específico, mas tende a atingir a raça, a cor, a etnia, a religião ou a origem de um número indeterminado de pessoas. Vejamos o que diz o art. 20 da Lei nº 7.716/89“Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”
                        O crime de racismo não está em questão, apesar de, insistentemente, ser suscitado nos meios de comunicação como se estivesse.

3.            Até aqui foi chover no molhado.
                        Porém, a grande questão é que a legislação esportiva é muito clara ao estabelecer que não pode ser imputado ao Grêmio ou a qualquer outro clube de futebol a prática do “ato discriminatório” do art. 243-G se o fato foi praticado individualmente, como no caso envolvendo o arqueiro Aranha.
                        Tão clara que fez muitos torcedores incautos – este que vos escreve, inclusive – acreditar que o “julgamento” seria de absolvição.
                        Aqui eu poderia invocar inúmeros princípios de Direito e até mesmo usar outros meios eruditos para demonstrar a minha inconformidade com o que foi decidido.
                        Não o farei.
                        A força que os auditores necessitaram fazer para ignorar os argumentos do Grêmio neste particular foi tão grande que, simplesmente, eu tentarei explicar qual é o gravíssimo problema da decisão enumerando o que consta da Lei Esportiva.
                        E, creio, isto bastará.

4.            Diz o § 1º do art. 243-G do CBJD:
 § 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
                        Portanto, para termos a responsabilização do clube, o ato discriminatório precisa de três elementosconcomitantes, ou seja, precisa ele ser:
1) praticado simultaneamente;
2) por considerável número de pessoas;
3) vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva.
                        Logo: mesmo se o ato discriminatório existir, mas não for praticado simultaneamente OU por consideravelmente número de pessoas OU vinculadas a uma mesma entidade esportiva, não existirá possibilidade de punição do clube.
                        Sendo repetitivo:
                        1) o ato discriminatório simultâneo praticado por poucas pessoas não permite a punição do clube.
                        2) o ato discriminatório praticado por considerável número de pessoas, porém não simultâneo, igualmente não autoriza a punição do clube.
                        Vejam que eu afirmei que a legislação esportiva não permite a punição do clube nesses casos. É evidente que qualquer ato discriminatório permite a punição individual de quem o praticou. Em qualquer hipótese e local, aliás.
                        Repito: é a Lei Esportiva que assim determina e foi ela a aplicada nos ONZE outros casos sumetidos ao STJD nos oito meses deste ano de 2014. 

            5.         E para quem frequenta estádios de futebol fica bastante clara a intenção da Lei: um ato praticado “simultaneamente”, por “considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade” nada mais é do que o juridiquês para os cânticos que toda a torcida de clube de futebol tem.
                        Em síntese: o art. 243-G, §1º, do CBJD pretende punir o clube por eventuais cânticos racistas que suas torcidas eventualmente entoem.
                        Bingo!
                        Este é o objetivo da legislação, que não é nem nunca foi punir o clube por ações individuais de quatro ou cinco torcedorespor mais abjetos que estes sejam.

            6.         E por estas razões é que não parece juridicamente compreensível a decisão da Comissão Disciplinar, pois o Grêmio não estava em julgamento por cânticos racistas de sua torcida. Isto não constava da denúncia e, portanto, não poderia o Grêmio ser condenado por algo de que não fora acusado.
                        Estava em julgamento a injúria racial que vitimou o goleiro Aranha e que assim foi praticada por, no máximo,quatro pessoas, o que, aliás, nunca foi negado pelos auditores em seus votos.
                        Neste particular, a todo momento os auditores repetiam que os atos discriminatórios estavam comprovados e partiam para as suas conclusões condenatórias. Contudo, como visto e salvo melhor juízo, tão só a prova dos atos discriminatórios serve apenas para a condenação individual dos envolvidos.
                        Para a punição do Grêmio, seria necessário que estes atos fossem praticados “simultaneamente” e por“um número considerável de pessoas” em algo que, no mínimo, se assemelhasse a um cântico de torcida, como visto, o grande objetivo punitivo do § 1º do art. 243-G do CBJD. 
                        Concluindo:
                        1) quatro pessoas não podem ser consideradas um “número considerável” em um universo de 30 mil (10 ou 20 também não!);
                        2) Não houve qualquer referência ou prova da simultaneidade dos agressores individuais ao realizar as injúrias;
                        3) E não existiu absolutamente nada, nem mesmo parecido, com um cântico de torcida com teor racista (tanto que sequer o árbitro ouviu algo a respeito), tudo a revelar que não se configurou a hipótese legal de punição do Grêmio no lamentável episódio envolvendo o goleiro Aranha (§ 2º do art. 243-G do CBJD).
                        E, como a única hipótese legal de punição institucional do Grêmio não se configurou, considerando, ainda que a “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (art. 5º, inciso XLV, da Constituição da República) – e, assim, o Grêmio não poderia ser culpável por fato imputável a terceiros –, respeitado o devido processo legal, apenas punições individuais seriam cabíveis no caso para a reparação da injúria racial, ou, quando muito, a pena econômica de multa do § 2º do art. 243-G do CBJD, até então o padrão jurídico adotado em todo o STJD nas onze situações análogas julgadas neste ano de 2014.
                        O Grêmio está muito bem assessorado e tudo o que aqui se disse já foi debatido no processo, como se pode ouvir das brilhantes sustentações orais dos advogados do nosso Tricolor na transmissão pelo rádio. Se o julgamento mantiver-se dentro da legalidade, é muito possível acreditar em reforma da decisão da Comissão no recurso ao Pleno do STDJ.
                        Enfim, espero ter esclarecido ao menos parte do imbróglio aos amigos gremistas.
                        Saudações tricolores!           


Tiago Mallmann Sulzbach
@tiagosulzbach

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Pão e Circo!

Durante a semana escrevemos no jornal Zero Hora artigo examinando questões eminentemente jurídicas relacionadas ao julgamento que o Grêmio estaria submetido no Superior Tribunal de Justiça Desportiva

Como se viu do julgamento realizado na tarde de quarta-feira, um verdadeiro circo se formou! Mas o mais interessante é que os palhaços não estavam no palco, mas, sim, estavam na audiência das rádios que transmitiam ao vivo o julgamento e nas redes sociais, acompanhando, apreensivos, o drama que se passava.

No picadeiro haviam pavões, preocupados, ou nem tanto, como se viu depois, com suas imagens, pois mais uma vez eram mais notícia do que o futebol, a verdadeira paixão nacional!

Como já imaginado por muitos, a decisão já estava tomada antes de iniciado o julgamento, tanto que se viu verdadeiros inquisitores questionando não só o Presidente Koff, como os árbitros da partida, a fim de que dissessem aquilo que confortasse o juízo condenatório!

Mas o pior: não conseguiram!

Juridicamente a decisão não se sustenta!

A vítima do ato racista não compareceu ao julgamento, utilizando-se como prova uma entrevista sua dada ao programa não mais jornalístico, mas de variedades, Fantástico, da Rede Globo!

Ora, um programa de variedades sempre irá buscar o sensacionalismo, para vender mais, diferentemente do jornalismo sério e responsável! E o julgamento que se pretendia sério já deixa de ser a partir deste momento!

Mas não foi só isso!

O árbitro e seus auxiliares, ao serem  inquiridos, como muitos devem lembrar, afirmaram que NÃO viram insultos racistas no momento que estes teriam acontecido, motivo pelo qual deixaram de relatar tais fatos em súmula (fizeram adendo após em razão da repercussão na mídia dos fatos).

A propósito, aliás, o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê que para o clube ser punido por supostos atos racistas de sua torcida (não de injúria racial) devem estes decorrer se um número considerável de torcedores.

Fica a pergunta: se houvesse considerável número de torcedores não teriam os árbitros identificado tal situação?

Mais um questionamento exsurge: Em que local dos autos os auditores encontraram elementos a confortar a tese do considerável número de torcedores?

Este, a propósito, é outro aspecto da, digamos, estapafúrdia decisão.

Vige também na Justiça Desportiva brasileira o sistema da persuasão racional, onde o julgador tem a liberdade de decidir, conforme sua convicção, desde que fundamentada na prova dos autos. Isto é dizer, deve o julgador apontar as provas que justificam a decisão tomada!

Mas não foi o que se viu/ouviu/leu do julgamento. Pelo contrário, além das provas não confortarem o "considerável número de pessoas", embora o relator, acompanhado por seus pares tenha dito que sim, eles sequer demonstraram onde, em que elemento nos autos constava e levava eles à conclusão acerca da presença desta prova. Apenas ouviu-se dizer que não eram apenas 4 torcedores... Ou seja, ficou o "dito pelo não dito"!

Ainda há que se falar em desproporcionalidade da decisão, seja em vista de precedentes do mesmo ano de 2014 (São Bernardo multado em R$ 15.000,00 por ofensas a jogador do Paraná Clube, e só, sem banimento, exclusão ou perda de mando de campo, por exemplo), seja em razão do alegado "caráter pedagógico da pena"!

O julgador está limitado pela lei ao decidir, e dela não deve se afastar! A exclusão, no caso em questão, é pena máxima, que só deve ser aplicada quando gravíssimo o caso (cabe lembrar que nem mesmo comprovado restou o "considerável número de torcedores") ou em caso de reincidência (esta só ocorre quando já condenado definitivamente por fato semelhante, o que incorre em relação ao Grêmio - o caso Paulão, ofensas proferidas no GREnal de fevereiro/2014 ainda pense análise de recurso).

Logo, nem o fato, nem antecedentes, nem mesmo um suposto "caráter pedagógico" justificavam pena máxima, como aplicada.

Enfim, encerrado o julgamento, com juízo condenatório, o Grêmio e toda sua torcida, não apenas os envolvidos, foram taxados de racistas.

Mas o dia ainda não havia terminado! Para culminar, a noite, pelo menos de certa forma, desmascarou-se a hipocrisia do tribunal, por um de seus auditores, Ricardo Graiche!

A torcida do Grêmio, inconformada com a injustiça a que estava submetida, buscou nas redes sociais perfil de alguns auditores e, com surpresa até mesmo, descobriu que um daqueles que havia condenado o Clube tinha diversas postagens de cunho racistas! Imagens graves, que devem ser repudiadas por todos (e são)!

Demagogia e hipocrisia é a certeza que se tem de tal conduta! E por essas, e também pela injustiça da decisão, deve o Grêmio, sim, buscar o recurso para reverter a exclusão!

Agora caberá ao pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva julgar recurso a ser interposto pelo Grêmio!

Que estes argumentos expostos de maneira simples, e outros tantos, sejam utilizados por nossos advogados a fim de reverter a decisão e fazer, enfim, Justiça!
Rogério Souza Couto
@rsouzacouto