25 de outubro de 2014

Daniel Matador - Por um lugar ao sol




Caros

O Grêmio entra em campo neste sábado às 18h30min para enfrentar o Coritiba na capital paranaense. Uma vitória poderá proporcionar ao tricolor o ingresso no grupo dos clubes que estariam habilitando-se a disputar a Taça Libertadores da América em 2015. Algo que seria um feito interessantíssimo, ainda mais com Felipão podendo montar a equipe desde o começo, com pré-temporada e Koff como principal gestor do futebol. Além, é claro, de ser terceira temporada seguida em que a Arena sediaria este torneio, mantendo uma prática que ocorre desde sua inauguração. E também levando em conta os recursos financeiros e de exposição que participar da Libertadores sempre proporciona.

A equipe que deverá entrar no gramado do Estádio Couto Pereira deverá ser formada por Marcelo Grohe no gol, com Pará e Zé Roberto ocupando as laterais. A dupla de zaga do último jogo deve ser mantida com Geromel e Bressan. Os três volantes também são tendência para iniciar o jogo, sendo que Ramiro, Matheus Biteco e Riveros devem ser os escolhidos. No ataque que a situação pode mudar. Barcos pode ganhar a companhia do jovem Erik, recentemente promovido da base gremista por Felipão.

Na parte final do treino de sexta-feira Felipão adotou uma das práticas que particularmente sempre gostei: a famosa série de cobranças de falta. E nesta atividade Erik foi o atleta que teve o melhor aproveitamento. É um garoto que veio da várzea do Rio de Janeiro e passou pelo Juventude antes do Grêmio trazê-lo para lapidação. Poderemos ver neste sábado um prenúncio do que ele poderá render, sempre lembrando que é um jovem que recém está recebendo suas primeiras chances. Felipão, matreiro como ele, certamente saberá como aproveitar seu potencial da melhor maneira.

Uma vitória em Curitiba não só faria o tricolor entrar no G4, como também deixaria em polvorosa uma turma que está a fim de ingressar lá. Mas talvez este ano a flanela venha a funcionar novamente, como tem sido costumeiro.

Saudações Imortais

23 de outubro de 2014

Avalanche Tricolor: nossa hora está chegando

Por Mílton Jung

Grêmio 1 x 0 Figueirense
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio


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Barcos chega a marca simbólica dos 28 gols ao decidir a partida desta noite na cobrança de pênalti. Foi a meta que ele se propôs ano passado, registrada no número da camisa, mas que só foi alcançada nesta temporada. É o nosso goleador e um dos maiores goleadores do futebol brasileiro na atualidade. Joga sempre no sacrifício, quase isolado, a espera de bolas que poucas vezes chegam redonda aos seus pés. Os zagueiros, no cumprimento de suas funções, são implacáveis com ele. Apanha por trás, por baixo e por cima. Não bastasse o que sofre lá na frente, é constante sua presença na nossa defesa. Hoje, salvou ao menos dois cruzamentos na nossa área. E, com a personalidade que lhe é comum, cobrou pênalti da maneira clássica: chute forte e no alto, sem qualquer possibilidade de o goleiro esboçar defesa. Cumpriu seu papel.


Peço perdão a Barcos, porém. Em data tão significativa para nosso atacante, vou dividir a dedicatória desta Avalanche com outro gremista que há algum tempo merece toda nossa reverência. Refiro-me a Marcelo Grohe que a cada partida revela-se maior, seja por defesas espetaculares, como as feitas em jogos passados, seja pela segurança que transmite, como na noite desta quarta-feira. Em jogo no qual a atuação do time foi mediana, Grohe se sobressaiu. As bolas lançadas para a área, os cruzamentos que se aproximavam do nosso gol e os chutes de longa e média distância desferidos pelos atacantes adversários tinham um só destino: as mãos de Grohe. Por cima, por baixo e por todos os lados. Só dava ele. E, foi o que percebi assistindo à partida pela televisão, o torcedor no estádio reconheceu seu talento ao comemorar cada intervenção de nosso goleiro como se fosse uma conquista.

No fim e ao cabo, o fato de o Grêmio estar rondando o G4 a pelo menos 13 rodadas deste campeonato, tem muito a ver com o desempenho desses dois talentos. Barcos, que fez mais da metade dos nossos gols na competição (13 de 25), e Marcelo Grohe, que comanda a defesa menos vazada do Brasileiro (levamos apenas 17 gols até aqui). Tem a ver com eles e com Luis Felipe Scolari que, independentemente de todas as críticas que ouça, construiu um time do tamanho do elenco que tem em mãos e cultiva uma paciência impressionante. Felipão nos faz jogar sempre no limite. Vem cozinhando os adversários rodada após rodada. Muitas vezes nos causando incômodo, desconformidade, mas convicto de que o bote para o G4 tem de ser definitivo, na hora certa. E a hora está chegando (tua batata tá assando).

22 de outubro de 2014

Vitória feia e chorada

Grêmio 1  x 0  Figueirense


Primeiro Tempo: 1 x 0


Felipão optou por começar o jogo com Matheus Biteco no lugar de Fellipe Bastos. O Grêmio começou pressionando e dando trabalho ao goleiro adversário. Mas aos doze minutos, Grohe faz ótima defesa de chute forte no canto colocando a bola para escanteio. Logo depois, o Tricolor responde com cobrança de falta por Luan, que chuta por cima do gol. Aos 18 minutos, Barcos entra na área após passe de Zé Roberto, mas o bandeira erra e marca impedimento. O Grêmio pressiona muito mas o Figueirense consegue resistir. Com dificuldade para articular as jogadas, o time gremista sente dificuldades nas conclusões do ataque. Aos 36 minutos, Zé Roberto avança para dentro da área com a bola dominada. No carrinho, o adversário toca a bola com o braço: pênalti. Barcos bate com grande categoria alto e forte e faz 1 x 0.
O jogo no primeiro tempo foi pobre tecnicamente.  Falta uma articulação de qualidade que leve a bola mais bem trabalhada para o ataque. Luan deveria jogar na sua posição de origem e não como articulador. Ele cai muito de produção fora do lugar onde sabe jogar.

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Segundo Tempo: 0 x 0

Sem alterações, a equipe volta no mesmo ritmo, com o Grêmio buscando ampliar o placar. Em jogada espetacular de calcanhar, Barcos perde o segundo gol, que seria de placa. O Grêmio se impõe levemente ao Figueirense e cria as melhores alternativas. Mas um jogo que era para ser fácil, o Tricolor conseguiu tornar difícil. Aos 26 minutos, sai o Luan para a entrada do Wallace. O Grêmio passa a aceitar a marcação do time do Figueirense e não consegue se impor. Aos 40 minutos, entra o estreante Erik no lugar de Dudu. Rivaldo entra de maneira criminosa em Barcos e é expulso. Na prorrogação entrou Alán Ruiz, sabe-se lá por quê.
Não gostei do time. Muito volante para pouco adversário. Acho que o Grêmio pode fazer bem melhor que isso que vimos hoje. Mas a vitória veio a calhar. Feia e chorada. Ao estilo de Felipão.

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Como jogaram:

Marcelo Grohe: perfeito
Pará: o mesmo média 5
Geromel: perfeito
Bressan: eficiente
Zé Roberto: muito participativo
Riveros: cumpriu bem a missão
Ramiro: não justifica a titularidade
Matheus Biteco: não fez um bom jogo
Luan: fora de posição, não rende o que pode
Dudu:batalhador
Barcos: um dos melhores


Wallace: sem tempo
Erik: sem tempo
Alán Ruiz: sem tempo

Felipão: no seu lugar, eu daria o lugar de Dudu para Luan e não manteria Ramiro na titularidade.


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Arbitragem: Vinícius Furlan, auxiliado por Rogério Zanardo e Vicente Romano Neto. Foi como deve ser: não atrapalhar o jogo.

21 de outubro de 2014

O novo presidente

Todos os dias eu faço uma verdadeira via crúcis por blogs de todos os tipos. De esportes à política, economia, artes, entretenimento, etc. Enfim, aprecio muito a boa informação. Com formação em Jornalismo, adoro estar por dentro das notícias e estou sempre procurando novidades e acontecimentos. Assim, há alguns meses, desbravando a internet descobri por conta o Blog do Prévidi, um jornalista gaúcho que escreve sobre o dia a dia da política, economia e variedades. E desde então, todos os dias dou uma passadinha por lá para em busca de informações e diversão. As charges e fotos que lá são publicadas muito me fazem rir.
Pois então, agora à noite ao acessar  o blog do Prévidi, encontrei um post sobre o novo presidente eleito do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Romildo Bolzan Jr. e senti vontade de compartilhar com vocês. Muito bem escrito, o texto revela um pouco do perfil do novo mandatário gremista. Não conheço pessoalmente o jornalista José Luiz Prévidi, mas acho que ele não ficará zangado se eu reproduzir abaixo o seu texto. E agradeço desde já, mesmo ele não sabendo da minha intenção.
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O ROMILDINHO



Romildinho e Romildo

Como acompanho esporadicamente o noticiário de futebol, só ontem à tarde fiquei sabendo da eleição de Romildo Bolzan Jr. para a Presidência do Grêmio de Porto Alegre.
Não sou gremista mas não tenho absolutamente nada contra os gremistas. Fui muitas vezes ao Olímpico e ainda não conheci a Arena, apesar de ter sido convidado para a inauguração (apenas como curiosidade: para a reinauguração do clube que tenho simpatia, o Internacional de Porto Alegre, não fui convidado). Sou Colorado, o que não me impediu de ir até Montevidéu para assistir Grêmio e Peñarol, naquela histórica Libertadores - bah, foi um sacrifício danado! Hahaha!!
Na eleição passada gostei que o Nestor Hein foi eleito vice-presidente. Pelo que sei, Nestor se desencantou com a "política" clubística e encontrará outra forma de ajudar o seu clube. É uma pena, porque a presença dele era um alento para os que torcem pelo futebol, que não predomine o espírito das mutretas e sacanagens. E, muito legal, sem aquele fanatismo idiota, que vários "dirigentes" adoram.
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Romildo Bolzan Jr. é uma boa notícia para o futebol. Não apenas para o Grêmio.
Se prevalecer a sua experiência administrativa, as loucuras e picaretagens com jogadores vão cessar - pelo menos no Grêmio. E será um bom exemplo para o Internacional e demais clubes falidos do futebol brasileiro.
Para quem não o conhece, ele foi três vezes prefeito de Osório. Está acostumado a trabalhar com pouco dinheiro e com uma rígida fiscalização do Tribunal de Contas do Estado, fora os ministérios públicos da vida.Tenho certeza de que não pagará 40 mil reais para um bedel da diretoria - como fez há alguns anos um "dirigente" que hoje se dedica a fazer provocações baratas no rádio.
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Romildinho será um bom presidente porque teve um bom exemplo em casa.
Seu pai, Romildo Bolzan, foi um homem público íntegro.
O conheci quando era líder da bancada do PDT na Assembleia. E eu repórter do Zero Hora e fazia a cobertura diária do partido. Durante anos, bati longos papos com ele. Durante estas conversas, fumava um Charm atrás do outro e se dedicava a triturar caixas de fósforos. No gabinete do deputado conheci Carlos Eduardo Vieira da Cunha, o Vieirinha, e presidente da Juventude Trabalhista (depois Socialista). E também o Romildinho, que sempre viveu em Osório.
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Romildo pai era gremista doente.Natural que Romildinho também fosse.
Acreditem, é sócio gremista há 51 anos - está com 54 anos.
Romildo pai faleceu em 2001, aos 69 anos.
Se é possível acompanhar, o velho Bolzan deve estar orgulhoso de seu guri.



19 de outubro de 2014

Avalanche Tricolor: um jogo sob o impacto da cintilação ionosférica

Por Mílton Jung

Goiás 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Serra Dourada (GO)


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O futebol é rico em expressões que tentam explicar o que acontece dentro de campo; claro que nessa diversidade há exageros e distorções. Durante muito tempo, se dizia do time que estava perdendo o jogo que teria de correr atrás do prejuízo. Parece que hoje estamos todos convencidos de que o objetivo mesmo é correr em busca do sucesso. Deixe o prejuízo para trás.

Acho curioso, também, quando comentaristas falam que o time joga por apenas uma bola, como se isto não fosse uma imposição da regra. Nesse caso, porém, justifica-se: a equipe mantém o jogo em banho-maria (e eis mais uma dessas expressões) a espera de um contra-ataque ou uma bola lançada para dentro da área adversária.

Com isso, lembro de outra expressão comum, que por muito tempo identificava o time do Grêmio: é forte na bola parada. É usada para times que fazem gols de escanteio ou falta. Tenho saudades de um gol assim, ultimamente está difícil até acertar cobrança de escanteio (não é, Fernandinho?). Acabo de lembrar de mais uma: joga com o regulamento embaixo do braço, que serve mais para as competições mata-mata. Já fomos bons nisso, também.

Para não cansar o caro e raro leitor desta Avalanche, registro a última: joga no erro do adversário. Serve para quem abre mão da posse de bola, marca forte e fica a espera do passe ou lançamento errado do time oposto.

A despeito da falta de graça e emoção da partida de sábado à noite, no Serra Dourada, fui surpreendido ao ser apresentado a outra expressão que não sabia ter relação com o futebol: cintilação ionosférica. Foi Milton Leite da Sport TV, narrador de primeira, quem a usou para explicar – não um fenômeno esportivo – os problemas no sinal de transmissão da partida. A imagem travava e impedia que soubéssemos como seria a conclusão da jogada, apesar de que pelo andar da carruagem já não esperava grande coisa mesmo.

A ionosfera, camada que está de 50 até cerca de 1.000 quilômetros de altitude, ajuda nas transmissões a longa distância. É uma espécie de espelho que reflete o sinal das rádios de ondas curtas e, no passado, por exemplo, permitia que ouvíssemos emissoras de outros continentes nos famosos Transglobe. Nela também são refletidas as ondas de televisão e o sinal de GPS. O espelho às vezes causa distorções, produzidas por irregularidades na distribuição de életrons (não se perca nos detalhes), especialmente entre o pôr do sol e à meia-noite, em regiões de baixa latitude, como o Brasil. Situação que piora com os períodos de máxima atividade solar.

Como se vê nem tudo que cintila é ouro, e esta cintilação, além de ter prejudicado a transmissão da TV, pelo visto, influenciou o desempenho do nosso time que, assustado com o calor de 34º e umidade relativa do ar em 11%, apesar do anoitecer, fez questão de jogar com o pé no freio. Havia momentos em que antes de a bola chegar, nossos jogadores já posicionavam o corpo para passá-la para trás. Quando alguém arriscava correr, terminava o lance extasiado. Verdade que alguns dos nossos craques, como Luan, sempre parecem jogar cansados. Aliás, porque ele faz tantos gols com a camisa da seleção e não repete este desempenho com a do Grêmio? Marcelo Grohe com seu mal-estar foi o personagem do jogo, seja por refletir fisicamente o que todos pareciam sentir, o que o levou a ser substituído, seja pela defesa precisa (e sortuda) que fez em contra-ataque inimigo.

Tinha a expectativa que, em Goiânia, recuperaríamos os pontos perdidos no jogo anterior, em São Paulo, o que nos colocaria dentro do G4. Parece-me, porém, que o desempenho que tivemos atendeu a estratégia combinada no vestiário, haja vista que sequer tentamos substituir jogadores com o intuito de dar mais dinamismo na partida. O entra e sai foi apenas para fazer mais do mesmo. Nossos comandantes têm mais paciência do que eu. E talvez estivessem cientes do risco que corríamos frente a cintilação ionosférica.

Que nos próximos e finais compromissos deste Brasileiro o fenômeno não volte a prejudicar o sinal da TV nem a vontade de jogar do nosso time.

18 de outubro de 2014

Daniel Matador - Só um pontinho em Goiás



Goiás 0 x 0 Grêmio

Primeiro Tempo: 0 x 0

O público no Serra Dourada era pequeno. Ainda assim, em torno de um milhar de gremistas lá estava para ver o tricolor em campo. Com um peculiar clima que apresentava 34 graus e 11% de umidade relativa do ar, este era o cenário apresentado para o jogo.

Nos primeiros minutos, após um pequeno estudo entre as duas equipes, Fernandinho tentou uma incursão na defesa do Goiás, sem sucesso. Em seguida Pará fez um cruzamento razoavelmente bom, porém infrutífero. Ramiro fez boa jogada com Lucas Coelho, porém o Goiás teve o contra-ataque, rechaçado pela defesa gremista.

Aos 9 minutos, Lucas Coelho fez uma jogada de grande velocidade e habilidade, desferindo um chute que explodiu na defesa goiana, levantando a torcida tricolor presente no estádio. Aos 11, falta para o Grêmio que Fellipe Bastos cobrou em direção ao gol, porém desviou na barreira e foi para escanteio. Aos 16 minutos, Ramiro cruzou bola para Coelho, que desviou sem grande perigo. Até este momento, era o Grêmio quem dominava as ações da partida.

Aos 20 minutos, Luan roubou a bola e tocou para Coelho, porém a arbitragem assinalou impedimento em um contra-ataque que prenunciava gol. Como sempre, na dúvida, o árbitro assinala contra o Grêmio.
Aos 24, o Grêmio ficou muito tempo trocando passes, quase num jogo de bobinho com o Goiás, até que Fellipe Bastos sofreu falta. Uma prova do domínio gremista na partida. Um minuto após, Pará fez falta para matar um contra-ataque goiano e recebeu cartão amarelo. Em seguida Amaral do Goiás também recebeu amarelo por falta, após Lucas Coelho peitar o árbitro e quase tomar amarelo por reclamação.

Aos 30, o Goiás fez a primeira tentativa que obrigou Grohe a fazer uma defesa, após casquinha de Ramon, aquele mesmo que já jogou no Grêmio no passado e era chamado por alguns torcedores de Ramongolão. Aos 38, após vacilo de Ramiro que proporcionou chance de gol ao Goiás, Grohe novamente salvou o time em conclusão de Samuel. Na continuidade do lance, Coelho deu um chapéu no marcador e partiu em direção ao campo adversário, porém foi cercado e ficou sem parceria, perdendo a chance. Aos 44, Esquerdinha entrou na defesa, mas Geromel foi soberano. Aos 45, Coelho deu um drible de futsal e emendou o chute que Renan defendeu.

Sem maiores eventos, encerrou-se o primeiro tempo, com domínio das ações por parte do Grêmio, que teve incríveis 65% de posse de bola.


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Segundo Tempo: 0 x 0

O Grêmio retorna para o segundo tempo sem modificações na equipe, assim como o Goiás.
Nos primeiros minutos, em uma jogada rápida de contra-ataque do Goiás que Tiago Mendes arrematou, Grohe operou mais um milagre e a bola passou raspando a trave. Logo em seguida, em outra jogada, Pará salvou após um chute cruzado. No contra-ataque, Felipe Macedo fez falta e levou cartão amarelo.
Aos 5 minutos, Fernandinho invadiu a área e chutou, com a bola desviando para escanteio que ele mesmo cobrou de forma horrível, com a bola indo direto para a linha de fundo por trás do gol. Aos 13, a torcida gremista presente no Serra Dourada pedia a entrada de Alán Ruiz. Neste momento, uma falta perigosa na entrada da área contra o Grêmio, mas que não deu em nada.
Esquerdinha, Ramon, Tiago Mendes e Samuel começaram a chamar a responsabilidade pelas jogadas do Goiás, que atacava muito mais do que no primeiro tempo. Aos 17, Ramiro sai para a entrada de Matheus Biteco. Aos 22, Grohe defende chute de Samuel e tem um mal estar, sendo atendido pelos médicos, porém permanecendo em campo. Aos 26, Pedro Henrique leva cartão amarelo por falta que matou um contra-ataque gremista.
Aos 30, uma pressão do Grêmio que resultou em lance que Coelho tocou para fora. Aos 32, Tiago Mendes chutou e a bola acertou a rede pelo lado de fora. Aos 33, Fernandinho ergueu bola para a área e Geromel quase marcou de cabeça. Aos 36, Luan deu assistência para Biteco, mas Renan saiu dividindo a bola. Aos 39, Grohe passou mal novamente e foi substituído por Tiago Machowski.
Aos 43 Zé Roberto deu assistência para Luan, porém a zaga afastou. Aos 44, Riveros entrou no lugar de Fellipe Bastos. O Grêmio até fez algumas tentativas, porém no mais ficou tocando a bola até acabar o jogo.
E era isso. Um pontinho na conta. É o que a casa oferece.
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Como jogaram:


Marcelo Grohe: duas boas defesas no primeiro tempo. Um milagre no início do segundo. Especula-se que tenha sentido os efeitos da viagem de retorno dos jogos da Seleção Brasileira, o que pode ter ocasionado o mal estar que sentiu e ocasionou sua substituição.

Pará: o mesmo Pará de sempre. Levou cartão amarelo no primeiro tempo.

Geromel: foi o capitão da equipe neste jogo. Fez duas intervenções importantes ao final do primeiro tempo. Discreto e eficiente.

Bressan: não comprometeu. Tem de jogar necessariamente ao lado de um zagueiro mais confiante, como Geromel ou Rhodolfo.

Zé Roberto: fez o feijão com arroz usual. Mesmo com a idade que tem, bota a maioria dos laterais do país no bolso.

Walace: discreto, sem grande brilho, porém não comprometeu.

Fellipe Bastos: participativo, porém parece ter perdido uma das principais qualidades que demonstrava em outras equipes, a bola parada.

Ramiro: errou mais passes do que o normal, jogou abaixo da média.

Luan: dispersivo no primeiro tempo, sem grande contribuição no segundo. Foi justamente substituído.

Fernandinho: esperava-se mais, pouco efetivo nas jogadas de ataque. Cobrou um escanteio que foi direto para fora. Teve raras vitórias pessoais sobre os marcadores.

Lucas Coelho: teve boa participação no primeiro tempo, com boas conclusões. Apagado no segundo tempo.

Matheus Biteco: substituiu Ramiro com vantagens.
Tiago Machowski: entrou no final do jogo e assumiu bem a função. É bom goleiro, tem futuro.
Riveros: entrou e nem teve tempo de suar a camisa.

Felipão: começou a irritar-se no segundo tempo com os erros cometidos pelos jogadores. Fez substituições, porém estas não alteraram o placar do jogo.

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Arbitragem: Marielson Gonçalves da Silva (BA), Adson Márcio Lopes Leal (BA) e Luiz Carlos Silva Teixeira (BA): Um árbitro com pouca cancha em grandes jogos e que só havia apitado 4 jogos até então pelo Campeonato Brasileiro. Pra variar, botaram este obscuro pra apitar o jogo do Grêmio. Ao menos não meteu a mão descaradamente como outros haviam feito até então. Deu sete minutos de acréscimo, o que incrivelmente foi correto, em face das duas paradas para atendimento a Grohe.

17 de outubro de 2014

Respostas aos Torcedores - Parte III (Final)

Estas respostas compõem a parte final desta série de perguntas feitas por leitores do blog.
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16. Cláusula de barreira

Pontos abordados: O que pensa da famigerada cláusula de barreira e do tempo de mandato atual da presidência? Apoia uma modificação de ambos?

Resposta: Vou considerar separadamente a cláusula de barreira para a eleição dos Conselheiros do Clube da cláusula de barreira que "aprova" as chapas concorrentes ao Conselho de Administração. Faço isso, porque tenho posições diversas em relação a elas. Penso que na eleição dos Conselheiros é possível termos o processo sem percentual a ser transposto pelas chapas, elegendo-se os Conselheiros proporcionalmente às votações obtidas pelas chapas. Nas eleições para escolher o Presidente do Grêmio, entendo que deve haver uma votação que legitime a chapa para ser apresentada aos associados. Isso não ocorrendo, poderíamos ter eleições no Grêmio com 5, 10, 20 candidatos concorrendo à presidência. Na minha opinião, um pleito nestas condições não fortalece o Clube. Sobre o tempo de duração do mandato, defendo 3 anos para o Conselho de Administração, em eleições coincidentes com as do Conselho Deliberativo. Infelizmente, conselheiros eleitos em chapas que fizeram disso "bandeira programática" na última eleição votaram contra quando o assunto passou pelo Conselho Deliberativo.

17. Marketing e torcida

Pontos abordados: Os esportes aqui nos EUA tem campanhas de marketing fortíssimas para atrair o torcedor mais fanático e o menos fanático. Esse ano fui em vários eventos aqui na cidade de Charlotte para a abertura da temporada, jogo de abertura, jogo de encerramento, etc. Todas as festividades foram dentro e fora do estádio, buscando a fidelização e para atrair o entusiasmo do torcedor. No Brasil isso é pouco explorado, houve algo similar com as fan fest durante a copa. O Grêmio poderia investir forte nesses quesitos e assim trazer o torcedor mais perto do clube. Existe algum plano para aumentar a fidelização que seja algo inovador e que não seja apenas fazer mais do mesmo? Gostei da ideia dos jogadores ligar para os sócios! Isso foi inovador mas atingiu um nicho pequeno.  O que será feito do cadastro do Exército Gremista?

Resposta: O cadastro do Exército Gremista é continuará sendo referência para ações do relacionamento. O marketing do Grêmio renasceu nesta gestão. As ações empreendidas valeram ao nosso executivo Carlos Alberto Carvalho o prêmio "Melhor Executivo de Marketing de Clube de Futebol do Brasil", promovido pela BrSM (Brasil Sport Market). Já citamos algumas ações em outras respostas. Por exemplo, as Arenas Virtuais e as redes de franquias vão ajudar na fidelização dos associados, através da entrega de uma forma de retribuição do Clube.

Nosso marketing tem muito claro o que queremos para o Grêmio. Operamos 2 vetores:
a) Gestão da Marca (branding), cujo objetivo é fortalecer a marca por meio de estratégicas e ações, alimentando o sentimentos de paixão, significado e envolvimento junto aos seus públicos;
b) Gestão Comercial, através da qual se identifica necessidades e desejos dos fãs e simpatizantes, desenvolvendo ações, produtos e serviços adequados a satisfazê-los.

A construção do valor da Marca Grêmio (cuja avaliação pela BDO alcançou um patamar de R$ 478,5 milhões em 2014, um salto de R$ 162,4 milhões em relação ao valor atribuído no início desta gestão) é feita por um leque de ações planejadas.
(A) Ativações Institucionais: o objetivo é fomentar a percepção de presença e expansão da marca, trabalhando de forma intensa o conceito de posicionamento da marca no cenário mercadológico no qual ela está inserida (Ex: ações que o marketing do clube desenvolveu durante a Copa do Mundo);
(B) Ativações relacionais: são ações cíclicas que visam gerar engajamento e lealdade à marca junto aos fãs e simpatizantes (Ex: ações com uso de jogadores em momentos especiais, o uso interativo permanente das plataformas de mídias sociais (o Grêmio é hoje o clube do sul do Brasil com maior número de seguidores, aproximadamente 2 milhões de pessoas), instrumentos de comunicação próprios como Guia da Partida, Revista 1903, Grêmio TV, Grêmio Rádio, entre outras);
(C) Ativações Comerciais: o foco é obter retorno financeiro pelo uso da marca associada a produtos e serviços que gerem recursos financeiros no curto, médio e longo prazos.
Estas ativações estão lastreadas em 4 grupos de fontes de receita: 1) a primeira são as receitas advindas do chamado match day. Incluem-se neste contexto as receitas provenientes da venda de ingressos, alimentação (catering) e exploração comercial no estádio (placas, sinalizações, ações promocionais...), loja do clube etc. Na situação atual, temos algumas dessas portas de entrada bloqueadas; 2) a segunda fonte refere-se aos direitos de transmissão dos jogos por televisão; 3) a terceira, são receitas geradas pela venda de patrocínios e contratos de licenciamento da marca para produtos e serviços. Neste pilar, o Grêmio apresenta-se, hoje, reconhecidamente, como o clube mais inovador do Brasil. Alguns exemplos que atestam este reconhecimento são a Hamburgueria 1903 (o Grêmio é o 1º clube de futebol do mundo a criar sob forma de licenciamento um rede de fast food); Greminis – a turma da Arena Azul (igualmente inédito até o momento no cenário de clubes de futebol no Brasil); Naming Rights da Pré-temporada (pela primeira vez no Brasil um clube criou e comercializou os direitos de nome do evento “pré-temporada do futebol profissional”. Geramos um novo ativo ao clube e, certamente, crescentes receitas ordinárias a partir da sua consolidação no mercado); Arena Virtual (este é um projeto de licenciamento fomentado desde o início da gestão. Questões de modelagem operacional do produto, bem como o cenário contratual e das relações do clube com a Arena retardaram a consolidação efetiva deste projeto inovador. Agora, estamos muito próximos de poder consolidar e anunciar a estruturação da primeira Arena Virtual no Rio Grande do Sul); 4) a quarta fonte de receita que compõe o elenco das Ativações Comerciais é a advinda do Quadro SocialAqui, um parêntese especial. Desde o início desta gestão a estruturação contratual da Arena engessou a possibilidade de expansão de sócios locatários de cadeiras. Assim, não podíamos colocar novos sócios, nem sequer repor perdas, processo normal na dinâmica associativa de clubes de futebol. Agora, a partir do novo aditivo recentemente assinado, começamos um processo de integração de novos sócios ao quadro de sócios locatários, já tendo agregados, em curto espaço de tempo, cerca de 1.000 novos sócios nesta modalidade. Com a consolidação da gestão da Arena pelo clube, estamos prontos para lançar uma campanha associativa de forma intensa e massiva. Cabe lembrar, também, que mesmo com as dificuldades referidas, o Grêmio deve fechar o ano como uma das maiores – se não maior – receita advinda do quadro social de clubes brasileiros, superando o montante de R$ 50 milhões. Sabemos que há mais a ser feito e estamos trabalhando para avançar mais.

18. Arena - estrutura e entorno

Pontos abordados: Qual o status do Museu e da Grêmio Mania Megastore? E o naming rights da Arena, não tem previsão ou um interessado pra fecharmos esse contrato? O que o Grêmio vai fazer pra pressionar o poder público pra melhorar aquele entorno da Arena? Por que as áreas comerciais na Arena não evoluem? O Grêmio não pensa em fazer uma parceria, por exemplo, com uma AGE, para que ocorram mais eventos e shows na Arena? A questão do check incheck-out será válida para todos ou privilegiará setores determinados?

Resposta: Recentemente foi inaugurada uma loja Grêmio Mania no lado Oeste da Arena. O Museu e a Grêmio Mania Megastore serão inaugurados em 2015. Os naming rights da Arena é propriedade da Arena Porto Alegrense, Este ativo envolve condições mercadológicas difíceis. A conjuntura é de retração. Nem mesmo os estádios da Copa conseguiram vender naming rights. Cabe ao Grêmio auxiliar a Arena Porto Alegrense na busca de interessados. Não desistimos e quando houver o resgate da gestão do estádio saberemos encontrar um caminho que nos dê retorno neste item. Nunca deixamos de dialogar com o poder público a respeito do entorno da Arena. Houve situações conhecidas dos leitores, que prejudicaram os avanços. Mas iremos resolver com diálogo e usando a capacidade de negociação que temos. Da mesma forma que os naming rights, a comercialização das lojas é atribuição da Arena Porto Alegrense. Até meses atrás, não havia "Habite-se". Não divulgávamos este fato para não prejudicar a imagem do estádio. Sofremo críticas infundadas por isso, inclusive de pessoas que deveria conhecer esta realidade. O Grêmio pode auxiliar e auxilia a Arena na locação dos espaços. O pleno uso da Arena como casa de espetáculos depende da instituição de uma gestão profissional, que conheça o mercado. Chegaremos lá. Sobre o processo de check in o que podemos dizer é que o contrato atual dos locatários de cadeiras lhes dá o direito de ingressar no estádio sem nenhum outro pré-requisito que não seja estar com a mensalidade em dia. O Clube não pode impor unilateralmente a obrigatoriedade do locatário avisar que vai ao jogo. O check out é uma sistemática que se mostra pouco efetiva. O resgate da gestão do estádio vai nos permitir implementar um novo modelo de ocupação da Arena (já referido na resposta do item 13), que vai solucionar definitivamente esta questão.

19. Futebol profissional

Pontos abordados: Os resultados em campo estiveram na média do que o Grêmio vem apresentando nestes últimos anos. O que faltou, na sua visão, para que o Grêmio tivesse resultados mais expressivos? Qual o perfil de jogadores pretendidos para a próxima temporada? A gurizada que foi campeã Sub-20 será devidamente aproveitada?

(Observação:  Foram retiradas questões particulares de contratos e opiniões específicas sobre profissionais que prestam serviços ao Grêmio)

Resposta: No ano passado fomos vice-campeões do Brasileiro. O desempenho do Cruzeiro foi anormal, nos alijando da disputa. Na Libertadores deste ano fomos derrotados pelo campeão, nos pênaltis. É certo que a falta de títulos incomoda. Precisamos ganhar títulos. Com o trabalho que está sendo feito, eles virão, é questão de tempo. O planejamento do futebol profissional prevê um grupo de 30 jogadores. O Grêmio tem participação nos direitos econômicos de cerca de 60 jogadores profissionais. Os direitos dos excedentes serão negociados ou os jogadores emprestados, para o grupo ser mantido com o número de 30, que é considerado ideal. Para 2015, a ideia do Futebol Profissional é mesclar experiência com a juventude oriunda da Base. Este trabalho, na verdade, já começou. Jovens estão subindo da Base e novos estão sendo formados (ver questão 15). Muitos jogadores campeões pelo Sub-20 estão sendo preparados para subirem aos profissionais.

20. Aquisição da Arena

Pontos abordados: A questão Arena está próxima de ser resolvida? Tem estudo de viabilidade financeira? Como se dará a nova gestão da Arena e as áreas comerciais? Podemos esperar que a mesma "bombe" comercialmente, com a exploração das lojas? Quanto tempo até o final do imbróglio da Arena (corre-se o risco de não dar certo se a oposição vencer)? Fala-se hoje da aquisição da Arena por 480 milhões. Qual é a previsão de caixa que o futuro gestor vai dispor para iniciar o ano? As dívidas de curto prazo estarão quitadas? Quem seria o grande avalista deste negócio? Quem dará as garantias?

Resposta: Embora este assunto tenha surgido com mais força nos últimos dias, desde o início da gestão era o objetivo desta diretoria. O Presidente Fábio Koff tomou a tarefa de devolver ao Grêmio a propriedade plena de um estádio com uma determinação e uma energia que impressionam. Ele é um obstinado quando luta por aquilo que acredita. Há meses o assunto vem sendo tratado com a OAS. Nos últimos dias, o Conselho de Administração e a OAS chegaram a um acordo sobre os valores, os prazos e as garantias. Sobre o processo de remessa do assunto ao Conselho Deliberativo, não se entende a surpresa expressa por alguns. Quando houve a negociação do 3º Aditivo, o rito foi exatamente este: 1) o CA fechou a negociação; 2) pediu-se a convocação do CD; 3) o CD conheceu os termos; e 4) o CD votou. É o que se inicia a fazer agora. A rigor, a parte que ainda não disse que quer o negócio é o Grêmio. Só o Conselho Deliberativo tem poder para aceitá-lo. Uma vez aceitos os termos pelo Grêmio, as partes darão o encaminhamento junto a terceiros. É assim que deve ser e é assim que será. Não há outro rito possível. Desta forma, pode-se dizer que este assunto está muito próximo de ter um desfecho. Foram feitas simulações de capacidade de pagamento e a proposta é compatível com a capacidade de pagamento do Grêmio. É importante esclarecer que, ao contrário do que dizem alguns desinformados, o Grêmio não assumirá o financiamento tomado pela Arena Porto Alegrense junto a bancos, com recursos do BNDES. Portanto, esqueçam as bobagens que transportam este custo às finanças do Grêmio. São os antigos secadores da imponência de Arena, agora na versão "ter estádio próprio é ruim". O que há de real é que assumiremos os custos de operação da Arena e teremos todas as receitas geradas pelo estádio: rendas de jogos, naming rights (se for negociado), locações etc. Temos plena ciência que a gestão do novo estádio é completamente diferente da gestão do Estádio Olímpico Monumental. Teremos uma equipe de profissional qualificados, capitaneados por um CEO contratado no mercado, com todas as qualificações necessárias para conduzir o grupo de executivos, sob a orientação do Conselho de Administração. Os número "informados" por alguns setores da mídia não são reais. O montante envolvido é menor do que R$ 480 milhões. Porém, não será divulgado por nós, por ser um assunto de economia interna do Clube. Os Conselheiros receberão todas as informações necessárias. Muitos números sobre o endividamento do Grêmio são distorcidos. A situação econômica do Clube exige muita responsabilidade, mas há erros grosseiros sendo cometidos. O negócio tem dois lados de garantias: um envolve OAS e os bancos credores do empréstimos (o qual não é e não será de responsabilidade do Grêmio); o outro, diz respeito às garantias oferecidas pelo Grêmio à OAS, para pagamento das anuidades do acordo. Saliente-se que os pagamentos a serem assumidos são similares aos existentes no acordo da cessão onerosa e não há nova ou maior complexidade sobre isso.
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Respostas de Odorico Roman a perguntas de leitores do blog.

Respostas aos torcedores - Parte II

Esta é a segunda de três parte dos questionamentos apresentados por torcedores ao blog. Deixamos de responder questões específicas sobre jogadores e profissionais contratados do Grêmio, por entendermos que não é adequado emitir publicamente avaliações deste tipo.
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10. Perguntas sobre patrimônio

Pontos abordados: Qual o planejamento patrimonial de curto e longo prazo do Grêmio? É possível adquirir a área em frente ao Barra Shopping e qualificá-la para que o sócio possa ter mais uma área de lazer? Ouço falar da ilha do Grêmio, mas nunca escutei uma proposta para recuperação da área e uso mais intensivo pelo clube e os seus associados? O terreno próximo a ponte do Guaíba onde historicamente se encontra o totem de campeão do mundo é do Grêmio? Qual a sua área e qual o seu uso no dia-a-dia? Por fim, quando o CT de Eldorado do Sul estará completamente equipado e apto para uso das categorias de base e dos profissionais?

Resposta: O Grêmio está dando um salto quantitativo e qualitativo muito grande em seu patrimônio. A Arena, o CT Luiz Carvalho, as novas instalações administrativas, o novo Quadro Social, a área Consular e a Central de Relacionamento são áreas novas que demandaram investimento de vulto para serem equipadas. Além disso, temos a área do Cristal, onde funciona a Escolinha do Grêmio, a Ilha do Grêmio, o CT de Eldorado do Sul. A gestão adequada deste patrimônio exigirá profissionalismo para que seja mantido. Alguns desses bens precisam ser administrados com vistas a que gerem recursos para o Clube. À medida que o fluxo de caixa permitir, investimentos devem ser feitos nas propriedades mais antigas, melhorando as suas condições de uso e exploração. A área citada, localizada em frente ao Barra Shopping, é do Grêmio. Trata-se de um terreno muito valioso, para o qual existe um belíssimo estudo de ocupação urbanística. Certamente num futuro não muito longínquo, poderá ser mais um motivo de orgulho para nós gremistas. A Ilha do Grêmio apresenta características peculiares, pois há que se observar tratar-se de bem imóvel sujeito à legislação específica (é uma ilha). Existem estudos de ocupação e exploração na área em fase ainda incipiente. Na área do totem passará a funcionar o Instituto Geração Tricolor - IGT, que vai atender crianças submetidas a vulnerabilidade social. É uma ação social do Grêmio, que vai ajudar na superação das carências existentes no bairro que nos acolheu. O CT de Hélio Dourado, de Eldorado do Sul, será equipado à medida que se consigam os recursos financeiros necessários. É uma área muito valorizada e, nos próximos anos, será transformado num centro modelar de formação de jogadores.

11. Relação com a TV

Pontos abordados: Pelo tamanho da torcida, utilizando como base diversas pesquisas feitas, merecemos ganhar uma parcela maior que a de clubes com torcida inferior. Alguma ideia pra conseguir uma repartição mais igualitária das cotas de TV no futuro ou teremos que aceitar a "espanholização" do futebol brasileiro? Horários de jogos. O pay per view dá dinheiro significativo pro time a ponto de valer a pena a perda de marketing em não ter jogos na TV aberta nunca? Grêmio TV, algum plano? Existe algum estudo para passarmos a Grêmio Rádio para o AM/FM?

Resposta: A repartição das cotas da TV é uma discussão permanente. O modelo está cristalizado e, no momento, os clubes não têm força para rompê-lo. O fim do Clube dos 13 concorreu muito para isso. O horário dos jogos é uma questão comercial. Como a TV compra os direitos, prepara a grade em função dos seus interesses, considerando a sua grade de programas que tem novelas, seriados, filmes etc. Os melhores horários para os jogos podem divergir se olhados do ponto de vista da TV e do torcedor que vai ao estádio. Esta é uma realidade difícil de alterar. O que se pode fazer é cobrar equilíbrio na distribuição dos jogos entre os clubes. Ainda assim, os dois clubes com maiores torcidas serão privilegiados nos horários considerados nobres. O Grêmio subiu 2 posições no pay per view, passando a situar-se para 2015 na 5º posição na distribuição dos recursos desta modalidade. Nossos vizinhos são o 10º. Receberemos mais de R$ 20 milhões em 2015, algo como R$ 5 milhões a mais do que eles. Temos planos para ampliar a Grêmio TV, o Grêmio já possui programas na Premiere. Estamos desenvolvendo, também, outras novidades relacionadas à transmissão de jogos para 2015. Estas, por enquanto, não podem ser divulgadas.

12. Plano de gestão da oposição

Pontos abordados: Vi um programa na Band, no qual foram mostrados erros e colagens no plano da oposição. Também falou-se que o plano da oposição tem trechos copiados de um artigo. Podes esclarecer isso melhor? E o plano de gestão da situação?

Resposta: No programa da Band e durante a campanha, a oposição insistiu que apresentava um plano novo, escrito nos últimos meses por mais de 100 pessoas. No programa da Band TV, apenas mostramos que o plano não era tão novo (acesse o plano aqui). Na verdade é uma reedição quase literal do plano da eleição anterior (clique e compare). O que apontamos foram falhas na revisão que mantiveram no "novo documento", por exemplo: a) na página 6, referência ao biênio 2013/2014 (esta eleição é para o biênio 2015/2016); b)  na página 10, o texto "o Clube contará, a partir de dezembro de 2012..." como se 2012 fosse um ano a transcorrer, sendo que estamos em 2014; c) na página 4, um organograma com dois Conselhos de Administração. Estes são alguns exemplos do que foi mostrado no programa de televisão. A cópia de dois parágrafos de um artigo de 2004 existe, com a substituição de poucas palavras para adaptá-lo ao contexto do Grêmio. O texto original, de 2004, faz referência ao estádio do Manchester (confira a página 10, do original). O texto colado inicia no parágrafo "A grande mudança... e vai até "... loja de produtos", no parágrafo seguinte (confira o texto na página 10 do plano). Nós seguimos o Planejamento Estratégico do Clube, suas políticas e diretrizes. Foi aprovado pelo Conselho Deliberativo e é obrigação estatutária do CA segui-lo.

13. Quadro Social

Pontos abordados: Qual será a ação para aumentar o número de sócios?

Resposta: O Quadro Social teve um "boom" nos meses que antecederam a inauguração da Arena. Vivemos um momento mágico de euforia com o novo estádio. Gradativamente, alguns associados deixaram de pagar, em parte pelo valor das mensalidade. A nossa gestão teve a sensibilidade de não aumentar o valor das mensalidades, que são consideradas altas por uma parcela dos associados. Paralelamente a isso, o contrato de cessão onerosa original não permitia que o Grêmio repusesse os associados desistentes. Isso fez com que o número de locatários caísse. Diversamente ao número exagerado divulgado pela campanha da oposição, perdemos cerca de 5.800 locatários. É um número relevante, mas um terço daquele apregoado. Aqui, é preciso fazer um parênteses: a renegociação levada a termo pela gestão atual trouxe inúmeros benefícios ao Clube. Há, por exemplo, expressivos ganhos financeiros, que ultrapassam R$ 350 milhões nos 20 anos da parceria. Dentre os benefícios de ordem geral, conquistamos a possibilidade de repor os locatários desistentes. Com isso, já conseguimos recuperar parte do Quadro Social. A conclusão das negociações para recuperarmos a gestão da Arena vai possibilitar uma verdadeira campanha para aumento do número de sócios. Estamos realizando um estudo que vai revolucionar o modelo de ocupação da Arena. As modalidades e a dinâmica do modelo em estudo irá surpreender a todos. Outro instrumento importante para captarmos novos sócios serão as Arenas Virtuais. Com elas, o sócio que paga por puro amor ao clube, pois não consegue vir aos jogos, irá obter uma contrapartida à sua paixão. Poderemos ter, também, uma modalidade de Sócio Arena Virtual, que dará acesso exclusivamente àqueles ambientes, com valor reduzido em relação ao associado que acessa o estádio. Será uma ferramenta extraordinária para aumentarmos o QS. A rede de franquias, que começou com a Hamburgueria 1903, aos poucos terá penetração no interior e em outros estados. Outros negócios estão em gestação, todos tendo como uma das premissas a garantia de descontos aos sócios. Também será ferramenta importante para atrair novos associados. Nesta gestão, o marketing do Grêmio acordou e o seu foco é agregar valor para os sócios, obtendo retorno financeiro para o Clube. Estas são algumas possibilidades que se apresentam como ferramentas para aumentar o nosso Quadro Social.

14. Finanças

Pontos abordados: O Grêmio tem ou não uma meta para diminuir a folha salarial? Em quanto está a folha hoje (incluído direito de imagem e arena) e em quanto pretendem reduzir? Quais são as alternativas de longo prazo que serão deixadas de legado pela atual gestão e qual o impacto dela para estabilização da dívida, mostrada pelo relatório BDO? Como será a busca por novas receitas?

Resposta: Não é necessário recorrer a relatórios externos para analisar os números do Grêmio. Os balanços e balancetes estão disponíveis no site oficial. Iniciamos o planejamento da gestão, no final de 2012, com o firme propósito de montar um time para buscar o Tri-campeonato da América. Tínhamos os dados do orçamento de 2013. Com base nisso. foram feitos investimentos com a contratação de jogadores. Quando iniciou a gestão, verificamos que já haviam sido antecipados R$ 59 milhões das receitas da nossa gestão. Afora isso, no decorrer dos meses, verificamos a existência de dívidas e comprometimentos que eram desconhecidos até mesmo do Conselho Deliberativo. Quando se contrata um jogador, não há como dispensá-lo em meio ao contrato, a menos que haja um negócio com o qual o atleta concorde. Desta forma, a redução da folha salarial é um processo que consome meses, às vezes anos (herdamos contratos longos e caros). No ano de 2014, o processo de ajuste iniciou de forma drástica. O trabalho feito no Departamento de Formação (ou Categorias de Base) começa a apresentar resultados. A folha salarial foi reduzida e será ainda mais em 2015, ajustando-se aos fluxo financeiros do Grêmio. Hoje, trabalhamos com patamares próximos a dezembro/2012. Os números estão nas demonstrações: em 2012, foram gastos R$ 91,0 milhões com o futebol profissional (média mensal de R$ 7,6 milhões); neste ano, até junho, o custo foi de R$ 47,4 milhões (média mensal de R$ 7,9 milhões). Com a utilização de atletas mais jovens, vindos da Base, vai diminuir mais. A política de trazer jogadores pré-prontos, também ajudou a irrigar o fluxo de caixa do Clube. Incompreensivelmente, esta política é criticada. De outra parte, fizemos investimentos patrimoniais de vulto nestes 2 anos (área administrativa, Quadro Social, CT Luis Carvalho, Memorial...). Foram quase R$ 20 milhões gastos em obras. Tudo isso impacta o balanço. Estamos vivendo uma época de dificuldades, mas sementes foram e estão sendo lançadas. Os frutos virão. Há três pilares sobre os quais poderemos avançar muito: aumento do número de sócios, formação de atletas e exploração da marca Grêmio, através de redes de franquias. Este último tem uma expansão mais lenta, mas formará um fluxo de receitas estáveis e crescentes impensável há 2 anos. Gerido com responsabilidade, em 3 anos, o Grêmio viverá outra realidade financeira. Teremos equilíbrio orçamentário e estabilidade financeira.

15. Categorias de base

Pontos abordados: O trabalho de buscar jovens talentos pela América inteira, seguirá ou foi deixado de lado após os primeiros atletas, aparentemente, não terem dado certo? O que está sendo feito?

Resposta: Onde houver atletas com potencial que possam ser trazido para a Base, iremos buscá-los. As Categorias de Base do Grêmio passaram por uma verdadeira revolução no biênio 2013/2014. Quando a gestão Fábio Koff assumiu, o número de atletas médio por grupo da Base era de 45. Hoje se trabalha com média de 30 nos mais velhos e um máximo de 35 nos menores. O alojamento único deu grandes ganhos. A partir do momento que os atletas estão alojados, consegue-se dar igualdade de condição técnica. Todos dormem no mesmo horário, acordam no mesmo horário, fazem as 6 refeições por dia. Há uma melhora no desempenho de todos. A concentração dos atletas em um único local permitiu que melhorássemos o acompanhamento da formação técnica, além de obtermos ganhos na área psicossocial. Tínhamos atletas distribuídos em 12 alojamentos, hoje é apenas 1. Havia 70 alunos alojados, hoje temos 150 e capacidade de alojar 175. Atletas de Porto Alegre, com vulnerabilidade social, não podiam ser alojados, o modelo não permitia. Jovens com 18 anos não eram alojados. Recebiam ajuda de custo para alugar apartamentos. Sem acompanhamento próximo, muitos eram tragados pelo álcool e pelas drogas. Os alunos eram distribuídos em 9 escolas de Porto Alegre, hoje são apenas 2 em Eldorado do Sul. Com a política atual, a repetência escolar caiu de 45% para 5%. As relações com empresários, sempre tão obscuras, hoje são transparentes e disciplinadas. As parcerias e os contratos são todos auditados. Não há favorecimento a nenhum empresário. Inclusive, o número de pais que cuidam das carreiras dos atletas subiu de 15% para 48%, através de um trabalho de incentivo da atual gestão. Ou seja, quem cuida da carreira de metade do nosso elenco são os pais e não terceiros. Os empresários que trazem jogadores para a Base do Grêmio, hoje, têm uma posição muito clara, sobre o sistema metodológico, comercial e econômico adotado. O Grêmio tem como regra não ser minoritário em nenhuma ação. A nossa política tem, como regra, determos, no mínimo, 60% dos direitos econômicos dos atletas que chegam ao Departamento de Formação. Os empresários se enquadram no que o Grêmio define e não o contrário, como era antes. Aliás, hoje, não precisa ter empresário para jogar nas CB do Grêmio. Se a família quer contratar um empresário para cuidar da carreira é um direito seu, mas, na gestão Fábio Koff, empresário não garante titularidade. As CB são hoje uma área vital dos clubes. Este assunto exige profissionalismo. Não é admissível atuar nas CB com base no “achismo”. Cabe citar alguns nomes para que se avalie melhor o trabalho que vem sendo feito. Jogadores oriundos da Base que estão nos profissionais: Tiago, Wallace, Luan, Everton, Lucas Coelho, Léo, Lucas Costa, Breno, Biteco, Bressan, Ramiro e Júnior. Atletas que estão na Transição: Canhoto, Marcos Paulo, Balbino, Nicolas, Erik, Tyroane e Luiz Felipe. Atletas promissores, em finalização: Artur, Lima, Raul, Moises, Felipe Ferreira, Lucas Gabriel, Megueba e Dener. Os números mostram a revolução. Hoje somos modelo no país.
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Respostas de Odorico Roman a perguntas de leitores do blog.

(Será continuado)